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Navalha Avança com Medidas para Reanimar a Economia

Navalha Avança com Medidas para Reanimar a Economia
Por Osvaldo 3 min

O governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, avançou com novas medidas destinadas a estimular a economia, recorrendo às reservas obrigatórias para criar espaço de financiamento aos sectores produtivos, sobretudo empresas com capacidade para exportar e substituir importações.

A nova abordagem permite que parte dos fundos que os bancos comerciais são obrigados a manter junto do banco central seja direccionada para financiar empresas ligadas à produção, numa tentativa de aproximar a política monetária das necessidades da economia real.

A medida foi recebida de forma positiva por vários economistas, embora acompanhada de alertas sobre a necessidade de garantir que o crédito chegue efectivamente às empresas, em particular às micro, pequenas e médias empresas.

O economista Constantino Marrengula considera que a iniciativa representa uma mudança importante na utilização das reservas obrigatórias, que deixam de funcionar apenas como instrumento de gestão da liquidez bancária e passam também a servir como mecanismo de transmissão da política monetária para a economia real.

Marrengula alerta, contudo, que o principal desafio será garantir que o sistema financeiro consiga fazer chegar o crédito às pequenas empresas e à economia informal, que continuam a enfrentar dificuldades de acesso ao financiamento.

Segundo o economista, para muitas pequenas empresas o problema não está apenas nas taxas de juro, mas também na falta de garantias, demonstrações financeiras robustas e histórico bancário que lhes permita aceder ao crédito.

Marrengula defende, por isso, a criação de mecanismos de financiamento baseados em fluxos de caixa, contratos, transacções e cadeias de valor, incluindo soluções capazes de apoiar a transição de negócios informais viáveis para a economia formal.

O economista considera ainda que a nova abordagem pode ser utilizada para apoiar as cadeias de abastecimento alimentar, aumentando a produção interna e contribuindo para reduzir a pressão sobre os preços dos alimentos.

Na sua avaliação, o sucesso da medida deverá ser medido pela capacidade de o crédito chegar aos produtores, incluindo pequenos agricultores, e pela forma como essa liquidez se traduzirá em maior produção, criação de emprego e aumento da oferta de alimentos.

Eduardo Sengo também considera que a decisão representa uma tentativa de tornar a política monetária mais direccionada aos sectores produtivos. Para o economista, as políticas de estabilização não devem limitar-se ao controlo das taxas de juro, devendo igualmente influenciar a distribuição do crédito na economia.

Sengo observa que sectores como agricultura e indústria têm vindo a perder peso na distribuição do crédito bancário. Segundo o economista, o crédito destinado a estas áreas, que anteriormente representava cerca de metade do total, caiu actualmente para aproximadamente 15%.

Para Sengo, a nova orientação do Banco de Moçambique pode contribuir para aumentar a produção interna, substituir importações, reforçar as exportações, criar emprego e melhorar a disponibilidade de moeda estrangeira no mercado.

O economista Júlio Saramala também avaliou positivamente a medida, considerando que a nova abordagem procura conciliar prudência na gestão da liquidez com a necessidade de direccionar recursos para actividades produtivas.

Saramala alerta, no entanto, que será fundamental estabelecer critérios claros, acompanhar o cumprimento das regras pelos bancos e avaliar quanto do dinheiro libertado chega efectivamente às empresas e se produz impacto no investimento, produção e exportações.

Já Alfredo Mondlane considera que a medida representa um sinal de mudança na condução da política monetária, embora alerte que o impacto possa ser limitado no curto prazo devido à fragilidade financeira de muitas empresas potencialmente beneficiárias.

O economista defende que o novo regime inclua mecanismos destinados a fortalecer e reestruturar os balanços das empresas, permitindo que mais operadores económicos se tornem elegíveis para financiamento bancário.

Com esta abordagem, o Banco de Moçambique procura utilizar a política monetária não apenas para controlar a liquidez e a inflação, mas também para estimular sectores capazes de aumentar a produção nacional, reduzir importações e reforçar as exportações.

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