A decisão seguiu-se ao anúncio do Governo etíope de encerramento da sua embaixada em Asmara e da expulsão de dez diplomatas eritreus acreditados em Adis Abeba.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiópia declarou os diplomatas persona non grata e deu-lhes 48 horas para abandonarem o país, acusando-os de envolvimento em actividades consideradas uma ameaça directa à segurança nacional.
Adis Abeba afirmou ainda que as medidas foram tomadas em resposta ao que classificou como actos de hostilidade por parte da Eritreia.
Horas depois, o Governo eritreu anunciou medidas recíprocas, comunicando a ruptura das relações diplomáticas com a Etiópia e o encerramento da sua representação em Adis Abeba.
Nova escalada no norte da Etiópia
A crise diplomática acontece num momento de intensificação dos combates no norte da Etiópia, onde forças federais enfrentam grupos armados ligados à Frente Popular de Libertação do Tigré.
As hostilidades agravaram-se depois de forças do Tigré lançarem novas ofensivas, com confrontos também registados nas regiões de Afar e Amhara.
O Governo etíope acusa a Eritreia de apoiar grupos armados envolvidos nos combates, uma acusação rejeitada por Asmara.
A Eritreia, por seu lado, acusa a Etiópia de adoptar uma postura hostil e de usar alegações de ingerência para justificar medidas contra o país vizinho.
As acusações de ambas as partes surgem num ambiente de rápida deterioração das relações entre os dois países, que tinham sido normalizadas em 2018.
Explosões aumentam preocupação
A escalada ganhou uma nova dimensão depois de terem sido ouvidas explosões em Adis Abeba, incluindo nas proximidades de instalações militares.
Uma aliança de grupos armados reivindicou ataques com drones contra posições militares na capital, embora vários detalhes dos incidentes continuem por confirmar de forma independente.
As autoridades etíopes chegaram a proibir voos de drones sobre a capital e áreas circundantes, numa altura em que a instabilidade se alarga a novas zonas do país.
Temor de novo conflito de grande escala
A deterioração da situação desperta receios de uma repetição do conflito de 2020 a 2022 entre o Governo federal e forças do Tigré.
Na altura, a Eritreia apoiou militarmente as forças federais etíopes, mas ficou de fora do acordo de paz assinado em 2022, que encerrou os principais combates.
Desde então, as relações entre Etiópia e Eritreia têm vindo a deteriorar-se, num contexto também marcado por divergências sobre segurança fronteiriça e pelo interesse etíope em garantir maior acesso ao Mar Vermelho.
A União Africana apelou às partes para exercerem contenção e privilegiarem o diálogo, perante o risco de a crise afectar a estabilidade do Corno de África.