De acordo com dados recentes do Health Cluster Mozambique, mecanismo coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a resposta humanitária em saúde para 2026 tem como alvo cerca de 410 mil pessoas nas três províncias.
Até ao final de Agosto, os parceiros do sector tinham alcançado 280.544 beneficiários, o equivalente a cerca de 69% da meta estabelecida para o ano.
A assistência está concentrada em distritos onde milhares de famílias continuam a enfrentar dificuldades de acesso a unidades sanitárias, medicamentos e cuidados básicos de saúde.
As necessidades humanitárias continuam elevadas, sobretudo devido ao agravamento do conflito em Cabo Delgado, às deslocações recorrentes e ao impacto acumulado de fenómenos climáticos.
A insegurança continua igualmente a limitar o acesso de equipas humanitárias a algumas comunidades, enquanto várias unidades sanitárias enfrentam dificuldades de funcionamento.
Clínicas móveis reforçam atendimento
Perante estas limitações, organizações humanitárias têm recorrido a clínicas móveis para levar serviços de saúde às populações deslocadas, retornadas e comunidades de acolhimento.
Só em Agosto foram realizadas mais de 30 mil consultas através de clínicas móveis em Cabo Delgado e Nampula.
A Organização Internacional para as Migrações realizou mais de 26 mil consultas em sete distritos abrangidos pela resposta, incluindo serviços de saúde mental e apoio psicossocial.
A Action Contre la Faim também prestou assistência médica em comunidades do distrito de Mueda, incluindo consultas dirigidas a crianças e mulheres grávidas.
A resposta humanitária dá prioridade aos cuidados primários de saúde, vacinação, saúde materna e reprodutiva, vigilância epidemiológica, tratamento das principais causas de doença e apoio psicossocial.
Conflito aumenta pressão sobre serviços
O conflito armado em Cabo Delgado permanece entre os principais factores de agravamento das necessidades de saúde no norte do País.
A violência tem provocado novas deslocações e dificultado a continuidade dos cuidados médicos, afectando particularmente mulheres, crianças, deslocados internos e pessoas com doenças crónicas.
O acesso a serviços essenciais permanece condicionado em algumas zonas devido à insegurança, às limitações de acesso humanitário e à insuficiência de recursos.
As condições precárias de acesso à água, saneamento e alojamento entre algumas populações deslocadas aumentam também o risco de surtos de doenças transmissíveis.
Financiamento continua limitado
A resposta humanitária de saúde enfrenta igualmente limitações financeiras.
O plano de resposta para 2026 prevê uma necessidade de cerca de 16 milhões de dólares para garantir assistência às populações afectadas.
Os parceiros humanitários alertam que os défices de financiamento, associados às dificuldades de segurança e acesso, podem comprometer a continuidade e expansão dos serviços destinados às comunidades mais vulneráveis.
O Health Cluster reúne autoridades nacionais, agências das Nações Unidas e organizações humanitárias para coordenar a resposta sanitária em situações de emergência e reduzir lacunas no atendimento às populações afectadas.