Em comunicado citado pela agência Lusa, o Ministério dos Transportes e Logística esclareceu que o concurso público internacional para o desenvolvimento do Projecto Integrado da Fronteira de Machipanda não foi cancelado, encontrando-se apenas sujeito a uma providência cautelar determinada pelo Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo.
Segundo o Executivo, a decisão judicial não representa o cancelamento do concurso nem constitui uma decisão definitiva sobre a legalidade do procedimento. O Governo acrescentou que aguarda os mecanismos legais subsequentes e que ainda não foi notificado da acção principal.
A providência cautelar resulta de uma contestação apresentada pela empresa SAFAGA, uma das concorrentes ao projecto, que questiona os critérios de avaliação das propostas, a fundamentação da adjudicação, a capacidade técnica e financeira do consórcio vencedor e a composição do júri do concurso.
Na sequência da contestação, o tribunal determinou a suspensão da eficácia da adjudicação, impedindo provisoriamente a assinatura do contrato de concessão enquanto decorre a apreciação judicial.
O projecto de modernização e expansão do Posto Fronteiriço de Paragem Única de Machipanda foi anunciado em Setembro, com uma concessão prevista para 25 anos, atribuída à sociedade Terminal Internacional Rodoviário de Machipanda.
A estrutura accionista da sociedade inclui o Estado moçambicano, através do Fundo de Estradas, com uma participação de 15%, enquanto 10% estão reservados ao empresariado da província de Manica e os restantes 75% pertencem ao consórcio chinês Union Portlink e Zhongmei.
De acordo com o Governo, a modernização pretende melhorar a circulação de pessoas e mercadorias entre Moçambique e o Zimbabué, reduzindo os constrangimentos logísticos numa das principais ligações terrestres do Corredor da Beira.
Actualmente, a fronteira regista a passagem diária de cerca de 320 camiões, que transportam aproximadamente 9.600 toneladas de mercadorias. Dados oficiais indicam que o tempo médio de espera era de 16,6 horas em Setembro de 2025, podendo atingir dois a três dias nos períodos de maior movimento.
O projecto contempla a expansão do terminal fronteiriço, a melhoria das vias de circulação, a construção de duas novas pontes sobre o rio Machipanda e a instalação de sistemas electrónicos de vigilância e controlo.
Está igualmente prevista a integração dos sistemas das autoridades moçambicanas e zimbabueanas, com o objectivo de simplificar os procedimentos migratórios e aduaneiros.
As novas infra-estruturas deverão permitir o atendimento de cerca de 3.000 passageiros por dia e incluir um terminal de carga multimodal com aproximadamente 35.000 metros quadrados.
Segundo as estimativas governamentais, o empreendimento poderá gerar cerca de 700 postos de trabalho directos, dos quais 500 durante a construção e 200 na fase de operação.
Apesar do processo judicial em curso, o Executivo reafirma que a modernização de Machipanda continua a ser uma prioridade estratégica para o desenvolvimento do Corredor da Beira, comprometendo-se a assegurar a implementação do projecto em condições que salvaguardem o interesse público.