O anúncio foi feito na sexta-feira, 9 de Outubro, durante a cerimónia de encerramento do XX Curso de Unidades de Operações Especiais e de Reserva da Polícia da República de Moçambique (PRM), realizada em Macandzene, no distrito da Manhiça, província de Maputo.
Segundo Daniel Chapo, os cidadãos que entregarem voluntariamente as armas de fogo durante o período estabelecido, no âmbito do Plano Operativo Amnistia Dois, não serão interrogados, detidos ou punidos pelo acto de entrega.
O Chefe do Estado advertiu, contudo, que, terminado o prazo, as autoridades deixarão de adoptar esta abordagem e passarão a recolher coercivamente o armamento ilegal, aplicando as medidas previstas na legislação em vigor.
A campanha pretende reduzir a circulação de armas de fogo ilegais e artesanais, consideradas um dos factores que contribuem para a criminalidade no País. A iniciativa procura igualmente incentivar a colaboração dos cidadãos com as autoridades na prevenção de crimes e no reforço da segurança pública.
Na mesma ocasião, Daniel Chapo apelou aos agentes da PRM para que actuem com disciplina, profissionalismo e respeito pela legislação, sublinhando que a formação especializada não coloca os membros das forças policiais acima da lei.
O Presidente defendeu que o reforço da capacidade operacional das unidades especiais deve ser acompanhado por elevados padrões de responsabilidade, garantindo que as intervenções policiais respeitem os direitos humanos e as liberdades fundamentais dos cidadãos.
Durante a intervenção, Chapo alertou para a crescente complexidade da criminalidade em Moçambique, destacando ameaças como o terrorismo, o tráfico de seres humanos e de drogas, os raptos, o crime organizado e a cibercriminalidade.
Perante estes desafios, defendeu o reforço da cooperação entre a PRM e as restantes instituições das Forças de Defesa e Segurança, através de uma maior articulação operacional e da partilha de informações.
Relativamente à situação de segurança em Cabo Delgado, o Chefe do Estado considerou que se registaram melhorias em comparação com o cenário de há dois anos, atribuindo os avanços às operações desenvolvidas pelas forças moçambicanas, com o apoio de militares do Ruanda e da Tanzânia.
Apesar dos progressos, reconheceu que a ameaça terrorista continua a exigir esforços permanentes para garantir a segurança das populações e a estabilidade da província.
Daniel Chapo reiterou ainda a importância do investimento na formação policial, considerando a segurança pública uma condição fundamental para a preservação da paz, a defesa da soberania nacional e o desenvolvimento económico do País.
Com o prazo da amnistia a terminar em Dezembro, o Governo apela aos cidadãos que possuem armas de fogo em situação irregular para que procedam à entrega voluntária antes do início da fase de recolha coerciva anunciada pelas autoridades.