Em comunicado divulgado esta quarta-feira, 14 de Outubro, a organização patronal classificou o resultado como um sinal encorajador para o reforço da segurança, da confiança dos cidadãos e da estabilidade necessária ao desenvolvimento da actividade económica em Moçambique.
Segundo a CTA, a segurança de pessoas e bens constitui um dos principais factores para a melhoria do ambiente empresarial, considerando que a estabilidade e a previsibilidade são essenciais para atrair investimentos nacionais e estrangeiros.
A organização sublinha que um ambiente seguro contribui para estimular a iniciativa empresarial, promover a expansão das empresas nacionais e tornar Moçambique mais atractivo ao investimento privado.
Durante vários anos, os raptos afectaram significativamente o tecido empresarial moçambicano, provocando insegurança entre empresários, trabalhadores e respectivas famílias, além de condicionarem decisões de investimento.
Dados anteriormente divulgados por associações empresariais apontam para cerca de 150 empresários vítimas de raptos ao longo de 12 anos. Em 2024, a CTA revelou que aproximadamente uma centena de investidores tinha abandonado o país devido à insegurança associada a este fenómeno.
Perante os progressos registados, a confederação enalteceu os esforços das autoridades no combate à criminalidade organizada, defendendo, contudo, a necessidade de manter e reforçar as medidas de prevenção, investigação e responsabilização dos envolvidos.
A CTA considera que a consolidação dos resultados depende de uma actuação coordenada entre o Estado, o sector privado e a sociedade, com particular atenção ao fortalecimento das instituições e à eficácia da justiça.
O último rapto conhecido ocorreu a 7 de Outubro de 2025, no centro da cidade de Maputo, quando um empresário português foi sequestrado por homens armados e encapuzados. A vítima foi libertada a 10 de Março de 2026, sendo, segundo o Presidente da República, Daniel Chapo, o último refém que permanecia em cativeiro no país.
A 8 de Outubro, o Chefe do Estado anunciou que Moçambique tinha completado um ano sem registo de novos raptos, considerando o resultado um avanço no combate ao crime organizado e um factor de reforço da confiança dos investidores.
Entretanto, o director-geral do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Ilídio José Miguel, advertiu que os progressos alcançados não devem conduzir ao relaxamento da vigilância.
O responsável assegurou que as autoridades vão continuar a investigar e perseguir os envolvidos nos crimes, incluindo os alegados mandantes, acrescentando que vários suspeitos identificados como executores já se encontram detidos.
Dados anteriores do SERNIC indicam que cerca de 300 pessoas foram detidas por envolvimento em casos de rapto desde o surgimento deste tipo de criminalidade em Moçambique.
Apesar dos resultados positivos, a CTA defende que o combate aos raptos deve continuar a ser uma prioridade, de modo a consolidar um ambiente de negócios seguro, estável e favorável ao investimento, à criação de emprego e ao crescimento económico sustentável.