A sentença foi proferida na terça-feira, 13 de Outubro, após um julgamento que durou cerca de um mês, colocando um ponto final no processo judicial relacionado com um dos crimes mais mediáticos da história do hip-hop, três décadas depois da morte do artista.
Segundo avançou o jornal português Observador, um júri composto por 12 residentes do Condado de Clark, no estado do Nevada, considerou Davis culpado de homicídio em primeiro grau, tendo chegado ao veredicto em menos de três horas de deliberação.
A juíza Carli Kierny determinou uma pena de 40 anos de prisão, reconhecendo ao condenado 731 dias já cumpridos em prisão preventiva.
«Não tem o direito de tirar um homem da sua família. Não tem o direito de tirar a vida dele, todo o seu futuro, e simplesmente sair ileso», declarou a magistrada durante a leitura da sentença.
A juíza acrescentou que a morte de Tupac Shakur permanece na memória colectiva, sublinhando que, apesar dos 30 anos decorridos desde o crime, o responsável teria de responder perante a justiça.
Duane Davis, antigo líder do grupo criminoso Southside Compton Crips, foi acusado de organizar o ataque como retaliação a uma agressão sofrida pelo seu sobrinho, Orlando Anderson, durante uma confrontação com elementos da comitiva de Tupac, no casino MGM Grand, em Las Vegas.
O rapper foi atingido por disparos provenientes de um veículo em movimento, a 7 de Setembro de 1996, tendo morrido seis dias depois, aos 25 anos.
Durante o julgamento, Davis declarou-se inocente. No entanto, declarações feitas anteriormente às autoridades, entrevistas e informações publicadas no seu livro de memórias, lançado em 2019, foram utilizadas como provas em tribunal.
Numa entrevista concedida em 2018, para o documentário Unsolved: The Tupac and Biggie Murders, Davis admitiu que estava no interior do Cadillac branco de onde partiram os disparos que atingiram o rapper.
O condenado afirmou que ocupava o banco do passageiro e que no veículo seguiam outros três membros do grupo criminoso, incluindo o seu sobrinho, Orlando Anderson.
Duane Davis foi a única pessoa formalmente acusada e condenada pelo crime, sendo também o único sobrevivente entre os ocupantes do automóvel envolvido no ataque.
A sentença foi igualmente marcada por declarações da família de Tupac Shakur. A irmã do artista, Sekyiwa Shakur, recordou o impacto emocional provocado pela morte do músico.
«O meu irmão nasceu um ícone. Nasceu uma lenda», afirmou, acrescentando que a perda deixou marcas profundas na família ao longo das últimas três décadas.
Tupac Shakur morreu aos 25 anos, numa altura em que se afirmava como uma das maiores referências do rap norte-americano. A sua morte tornou-se um dos episódios mais conhecidos da história da música, tendo permanecido durante décadas sem qualquer condenação judicial.
A condenação de Duane Davis representa, assim, o primeiro desfecho condenatório de um processo criminal relacionado com o assassinato do rapper, 30 anos depois dos acontecimentos que marcaram a indústria musical norte-americana.