As acusações foram feitas durante a abertura da convenção, na presença de mais de 400 delegados. Segundo Mondlane, o partido tinha comunicado às autoridades distritais a realização do encontro num espaço privado e solicitado protecção policial para garantir a segurança dos participantes. Contudo, o pedido terá sido rejeitado, tendo a administração local também recusado autorizar a reunião.
"A província de Inhambane e nós estamos quase numa situação de guerra declarada", afirmou o dirigente político, manifestando preocupação com o que considera ser uma intensificação das restrições às actividades do partido naquela região.
Mondlane criticou particularmente a decisão do administrador de Inhassoro, alegando que foram mobilizados agentes das forças policiais para impedir uma reunião estatutária da formação política.
"O que o administrador está a fazer hoje são coisas de 1975, e ainda usar efectivos das forças policiais especiais para impedir uma reunião estatutária no seu espaço privado", declarou, acusando as autoridades de violarem direitos políticos e de promoverem práticas associadas ao período do monopartidarismo.
O líder do Anamola relacionou o episódio com anteriores denúncias de violência contra membros da organização em Inhambane. Entre os casos mencionados, destacou o assassinato de Elídio Facitela, ocorrido em Setembro, no distrito de Zavala, e uma alegada agressão contra o coordenador local do partido, que, segundo afirmou, terá sido torturado poucos dias antes da convenção.
Mondlane denunciou igualmente um ambiente de crescente insegurança para os membros da oposição, afirmando que o partido enfrenta detenções arbitrárias, intimidações e assassinatos. Durante a intervenção, alegou que 55 pessoas foram mortas no espaço de um ano, embora não tenham sido apresentados elementos que permitam confirmar independentemente esse número.
As denúncias de violência contra membros do Anamola não são recentes. Em Maio, o Governo moçambicano condenou publicamente assassinatos de membros da formação política e defendeu a investigação dos casos, com vista à identificação e responsabilização dos autores.
Entretanto, a primeira Convenção Nacional Extraordinária do Anamola decorreu em Maputo, reunindo mais de 400 delegados para discutir propostas de revisão dos estatutos, a orientação ideológica e a adequação da estrutura executiva do partido. O encontro constituiu uma etapa do processo de organização interna da formação política liderada por Venâncio Mondlane.
O dirigente, que disputou as eleições presidenciais de Outubro de 2024, enfrenta também um processo judicial relacionado com as manifestações que se seguiram ao escrutínio. O início do julgamento no Tribunal Supremo está agendado para 17 de Novembro.
Até à divulgação das informações, não tinha sido apresentada uma posição pública do Governo distrital de Inhassoro sobre as acusações de impedimento da reunião, nem esclarecimentos das autoridades policiais relativamente à alegada mobilização de agentes para o local.