A informação foi avançada esta segunda-feira, 26 de Outubro, pelo presidente do Conselho de Administração do FUNAE, Mety Gondola, que explicou que a instituição está a reorganizar as suas prioridades, concentrando os recursos disponíveis nos projectos que apresentam níveis de execução entre 60% e 70%.
“Definimos, então, estes casos, temos que, até ao máximo do primeiro semestre de 2027, concluir estes dez”, afirmou o responsável, citado pela agência Lusa.
Segundo Mety Gondola, outros 12 projectos, actualmente com níveis de execução entre 30% e 40%, deverão estar concluídos até ao final de 2027. A estratégia pretende assegurar a continuidade dos investimentos, numa altura em que a disponibilidade de financiamento continua a representar um dos principais desafios para o sector energético.
Entre os projectos identificados encontra-se o de Lúrio, na província de Nampula, cuja componente de construção civil permanece por concluir. O responsável explicou que o FUNAE já dispõe de recursos para avançar com a intervenção, mas está a renegociar o contrato com o empreiteiro, devido a divergências relacionadas com os custos necessários para retomar os trabalhos.
“Mas o que é seguro é que Lúrio nós vamos electrificar. Está dentro do nosso mapa das urgências”, garantiu Gondola, acrescentando que uma equipa técnica deverá deslocar-se ao local para avaliar as condições existentes e definir os passos necessários à conclusão da infra-estrutura.
Além da conclusão dos projectos em curso, o FUNAE está a dar prioridade à recuperação de centrais eléctricas que se encontram inoperacionais há dois ou três anos, devido a avarias que interromperam o fornecimento de energia às comunidades abrangidas.
A instituição pretende igualmente avaliar os projectos em que a instalação das redes eléctricas avançou, mas as obras de construção civil ficaram atrasadas, podendo optar pela renegociação dos contratos existentes ou pela abertura de novos concursos públicos, consoante as condições de cada empreendimento.
A expansão do acesso à electricidade continua a enfrentar dificuldades relacionadas com a dispersão populacional, a dimensão territorial do País e a escassez de recursos financeiros. Estes factores foram apontados, em Outubro, pela directora nacional de Energia, Marcelina Mataveia, como obstáculos à concretização das metas nacionais de electrificação.
De acordo com dados do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, a taxa de acesso à electricidade em Moçambique atingiu 66,9%, sendo 57,9 pontos percentuais assegurados pela rede eléctrica convencional e nove pontos percentuais por soluções energéticas fora da rede nacional.
No âmbito dos esforços para acelerar a electrificação, o FUNAE apresentou anteriormente o Programa Nacional de Aceleração da Electrificação através de Mini-redes (PROMIR), que prevê a instalação de 363 mini-redes em todo o território nacional, num investimento estimado em 250 milhões de dólares.
Deste total, o financiamento para 148 infra-estruturas já está assegurado, abrangendo as províncias de Nampula, Niassa, Zambézia e Tete. O programa procura reforçar o fornecimento de energia a comunidades afastadas da rede eléctrica nacional, através de soluções descentralizadas.
Entretanto, em Setembro, o Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou a criação de uma coligação destinada a mobilizar cerca de 966,5 milhões de euros para financiar projectos de electrificação fora da rede, no âmbito da estratégia nacional de acesso universal à energia até 2030.
O Executivo prevê realizar aproximadamente 2,5 milhões de ligações fora da rede para alcançar esta meta, procurando reduzir as desigualdades no acesso à electricidade entre os centros urbanos e as comunidades rurais.
Para Mety Gondola, a mobilização de recursos financeiros continuará a ser determinante para assegurar a recuperação das infra-estruturas paralisadas e a conclusão dos projectos actualmente em execução, contribuindo para o alargamento da cobertura energética nacional.