As declarações foram feitas perante jornalistas, um dia depois da segunda volta das eleições, na qual Lula, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), derrotou Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
“Não tomei partido, mas parecia mais uma eleição fraudulenta”, afirmou Trump, manifestando desconfiança relativamente à forma como decorreu a votação.
O Presidente norte-americano considerou particularmente estranha a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prolongar por duas horas o período de votação, medida adoptada na sequência de dificuldades de transporte público registadas em algumas regiões do Brasil.
“Pareceu terrível para mim. Pareceu mais uma eleição fraudulenta, francamente. Eu não tomei partido, mas foi uma aparência terrível”, declarou, citado pela imprensa internacional.
Apesar das críticas ao processo eleitoral, Trump procurou afastar a possibilidade de um confronto directo com o Presidente brasileiro, afirmando manter uma boa relação pessoal com Lula da Silva.
“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Dou-me muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, acrescentou.
A controvérsia surgiu depois de o STF ter autorizado o prolongamento da votação até às 19 horas, duas horas além do horário habitual de encerramento das urnas.
A decisão esteve relacionada com dificuldades de deslocação enfrentadas por eleitores, particularmente em localidades onde a redução da circulação de autocarros comprometeu o acesso aos locais de votação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, tanto o Partido dos Trabalhadores como o Partido Liberal solicitaram o alargamento do horário de votação, embora tenham apresentado fundamentos diferentes. O PT invocou dificuldades no transporte público, enquanto o PL apontou problemas provocados pelas condições meteorológicas em determinadas regiões.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que aproximadamente 34,3 mil votos foram registados depois das 17 horas, correspondendo a apenas 0,03% dos cerca de 127,8 milhões de votos contabilizados nas urnas electrónicas.
O número é significativamente inferior à diferença de votos registada entre os dois candidatos, não sendo suficiente para alterar o resultado final das eleições.
Na segunda volta, Lula da Silva obteve aproximadamente 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões alcançados por Flávio Bolsonaro, garantindo a continuidade do Partido dos Trabalhadores na Presidência brasileira.
Apesar destes resultados, Flávio Bolsonaro contestou inicialmente a legitimidade da votação, alegando que a prorrogação do horário poderia ter beneficiado o seu adversário.
O candidato derrotado chegou a defender a anulação do processo eleitoral, embora não tenha apresentado provas capazes de demonstrar que a decisão judicial tenha comprometido a integridade dos resultados.
A posição de Trump acabou por reforçar a controvérsia política em torno das eleições, numa altura em que o Brasil procura consolidar o processo de transição para o novo mandato presidencial.
Entretanto, a vitória de Lula começou a receber manifestações de reconhecimento de dirigentes internacionais, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Nova Iorque, Zohran Mamdani, que felicitou o líder brasileiro pela reeleição.
Mamdani destacou o compromisso de Lula com os trabalhadores e recordou um encontro realizado entre ambos nos Estados Unidos, durante o qual discutiram políticas de protecção social e melhoria das condições laborais.
A reeleição de Lula ocorre num contexto de forte polarização política no Brasil, marcado pela rivalidade entre o Partido dos Trabalhadores e o movimento político associado à família Bolsonaro.
A vitória garante ao Presidente brasileiro um quarto mandato, depois de ter governado o País entre 2003 e 2010 e regressado ao poder em 2023.
As declarações de Donald Trump acrescentam uma dimensão internacional à disputa política brasileira, embora, até ao momento, não tenham sido apresentadas evidências que sustentem as alegações de fraude eleitoral.