O responsável falava sexta-feira, em Chimoio, província de Manica, durante a cerimónia de graduação de 302 estudantes, entre licenciados e mestres, na qual manifestou preocupação com os acidentes registados na zona de Seis Carros, distrito de Vanduzi.
Segundo Filipe Sungo, um desabamento ocorrido na madrugada de 10 de Setembro provocou a morte de pelo menos seis pessoas, na sua maioria jovens. Em Abril deste ano, um acidente semelhante no mesmo local tinha causado 11 vítimas mortais.
“Hoje, ao celebrarmos o futuro de tantos jovens, não queremos esquecer as vidas interrompidas naquela mina, nem as famílias que continuam a chorar a sua perda”, afirmou.
Perante os acidentes, o reitor defendeu o apuramento das respectivas causas e a divulgação das conclusões, de modo a permitir a adopção de medidas que evitem novas tragédias. Acrescentou que a UCM está disponível para prestar apoio técnico nesse processo.
Sungo considerou que a mineração artesanal está ligada a problemas socioeconómicos, como a pobreza, o desemprego juvenil e a falta de alternativas de rendimento para as famílias.
“Quem desce a uma mina durante a noite, sem condições de segurança, raramente o faz por imprudência. Fá-lo, na maior parte dos casos, porque não encontra outra forma de alimentar a sua família”, declarou.
O reitor manifestou igualmente preocupação com o envolvimento de crianças na actividade mineira. Recordou que, no ano passado, foram noticiados casos de centenas de alunos, maioritariamente com idades entre os seis e os 15 anos, que abandonaram as aulas para se dedicarem à mineração artesanal.
Na altura, segundo Sungo, o sector da Educação procurou inverter a situação através do envolvimento das famílias, dos conselhos de escola e de outros intervenientes.
O responsável reiterou a disponibilidade da universidade para colaborar com o Governo na procura de soluções para os problemas associados à mineração artesanal, com particular atenção às condições de segurança nas minas.
Por seu turno, o secretário de Estado na província de Manica, Lourenço Lindonde, apelou aos graduados para aplicarem os conhecimentos adquiridos na resolução dos problemas do País e na promoção do desenvolvimento nacional.
“Hoje, encerram um ciclo das vossas vidas académicas e abrem outro. Por isso, o país conta convosco no processo de desenvolvimento. Com o vosso saber, contribuam para o progresso do país”, afirmou.
Os 302 graduados concluíram cursos de licenciatura em áreas como engenharias, agronomia, direito, economia e gestão, contabilidade e auditoria, administração pública, psicologia clínica, assistência social e ensino. Os novos mestres formaram-se em gestão educacional, contabilidade e auditoria, administração e gestão de negócios, direito administrativo e administração pública.