Segundo o Comité Norueguês do Nobel, a distinção reconhece o percurso da antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, marcado pela defesa das vítimas de conflitos, pelo combate à impunidade e pela promoção do direito internacional.
O presidente do Comité Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, destacou o papel desempenhado pela jurista na responsabilização de autores de crimes internacionais.
"A laureada deste ano foi fundamental para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio sejam levados à justiça", afirmou.
O comité elogiou igualmente a coragem e a integridade de Navi Pillay, considerando que a sua carreira demonstra um compromisso contínuo com a protecção dos direitos fundamentais, desde a luta contra o apartheid na África do Sul até à participação em processos judiciais internacionais.
De origem indiana, Pillay iniciou a carreira como advogada durante o regime do apartheid, tendo defendido activistas políticos, incluindo Nelson Mandela, e contribuído para a conquista de direitos fundamentais dos presos políticos.
Posteriormente, destacou-se na justiça internacional, tendo exercido funções no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde participou no julgamento de crimes relacionados com o genocídio de 1994.
Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, período durante o qual se dedicou à promoção e protecção dos direitos humanos em diferentes regiões do mundo.
Mais recentemente, presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinianos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, que, em 2025, acusou as autoridades israelitas de cometer genocídio na Faixa de Gaza. Israel rejeitou as conclusões do relatório.
A atribuição do Nobel da Paz à jurista sul-africana foi recebida com manifestações de reconhecimento por parte de instituições internacionais.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos considerou que a distinção demonstra a importância da defesa dos direitos fundamentais num contexto internacional marcado por conflitos e violações dos direitos humanos.
"É maravilhoso ver essa distinção concedida a Navi Pillay. Isso demonstra, mais do que nunca, a necessidade e o valor dos direitos humanos neste mundo", declarou Shabia Mantoo, porta-voz do organismo.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também felicitou a jurista, destacando o seu trabalho em defesa das pessoas perseguidas.
Ao tomar conhecimento da distinção, Navi Pillay reagiu com humor, fazendo referência ao Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Se vocês aplaudirem um pouco mais forte, talvez eu divida o prémio com Trump", afirmou, durante um encontro em Nuremberga, na Alemanha, segundo um registo divulgado pela secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard.
O Prémio Nobel da Paz de 2026 tem um valor de 12 milhões de coroas suecas e será entregue a 10 de Dezembro, em Oslo, data que assinala o aniversário da morte de Alfred Nobel.
Em 2025, a distinção foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, pelo seu trabalho em defesa da democracia na Venezuela.