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Nobel da Paz 2026 Distingue Jurista Sul-Africana Navi Pillay

Nobel da Paz 2026 Distingue Jurista Sul-Africana Navi Pillay
Por Isabel Dalciana 3 min

A jurista sul-africana e defensora dos direitos humanos Navi Pillay, de 85 anos, foi distinguida com o Prémio Nobel da Paz de 2026, anunciado na sexta-feira, 9 de Outubro, em Oslo, na Noruega, pelo seu contributo para a promoção da paz, da justiça internacional e da responsabilização por violações graves dos direitos humanos.

Segundo o Comité Norueguês do Nobel, a distinção reconhece o percurso da antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, marcado pela defesa das vítimas de conflitos, pelo combate à impunidade e pela promoção do direito internacional.

O presidente do Comité Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, destacou o papel desempenhado pela jurista na responsabilização de autores de crimes internacionais.

"A laureada deste ano foi fundamental para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio sejam levados à justiça", afirmou.

O comité elogiou igualmente a coragem e a integridade de Navi Pillay, considerando que a sua carreira demonstra um compromisso contínuo com a protecção dos direitos fundamentais, desde a luta contra o apartheid na África do Sul até à participação em processos judiciais internacionais.

De origem indiana, Pillay iniciou a carreira como advogada durante o regime do apartheid, tendo defendido activistas políticos, incluindo Nelson Mandela, e contribuído para a conquista de direitos fundamentais dos presos políticos.

Posteriormente, destacou-se na justiça internacional, tendo exercido funções no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde participou no julgamento de crimes relacionados com o genocídio de 1994.

Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, período durante o qual se dedicou à promoção e protecção dos direitos humanos em diferentes regiões do mundo.

Mais recentemente, presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinianos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, que, em 2025, acusou as autoridades israelitas de cometer genocídio na Faixa de Gaza. Israel rejeitou as conclusões do relatório.

A atribuição do Nobel da Paz à jurista sul-africana foi recebida com manifestações de reconhecimento por parte de instituições internacionais.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos considerou que a distinção demonstra a importância da defesa dos direitos fundamentais num contexto internacional marcado por conflitos e violações dos direitos humanos.

"É maravilhoso ver essa distinção concedida a Navi Pillay. Isso demonstra, mais do que nunca, a necessidade e o valor dos direitos humanos neste mundo", declarou Shabia Mantoo, porta-voz do organismo.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também felicitou a jurista, destacando o seu trabalho em defesa das pessoas perseguidas.

Ao tomar conhecimento da distinção, Navi Pillay reagiu com humor, fazendo referência ao Presidente norte-americano, Donald Trump.

"Se vocês aplaudirem um pouco mais forte, talvez eu divida o prémio com Trump", afirmou, durante um encontro em Nuremberga, na Alemanha, segundo um registo divulgado pela secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard.

O Prémio Nobel da Paz de 2026 tem um valor de 12 milhões de coroas suecas e será entregue a 10 de Dezembro, em Oslo, data que assinala o aniversário da morte de Alfred Nobel.

Em 2025, a distinção foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, pelo seu trabalho em defesa da democracia na Venezuela.

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