O anúncio foi feito na quinta-feira pelo administrador executivo da EDM, António Munguambe, durante a Conferência Internacional de Investimentos, que decorre na cidade de Tete.
"Já temos o consultor apontado, portanto o concurso vai ser lançado, em princípio, ainda ao longo deste trimestre", afirmou o responsável, acrescentando que o financiamento do projecto está garantido.
A infra-estrutura terá capacidade de até 66 quilovolts (kV) e integra a estratégia da empresa para reforçar o transporte e a distribuição de energia eléctrica, bem como facilitar a integração de fontes renováveis no sistema nacional.
Segundo Munguambe, o projecto enquadra-se no conceito de "corredores verdes", que visa desenvolver infra-estruturas capazes de responder ao crescimento da procura de electricidade e diversificar as fontes de produção.
"Passa por criar auto-estradas para que a gente possa potenciar não só as energias tradicionais, mas a inserção ou a integração de novas energias renováveis no sistema", explicou.
A primeira fase deverá abranger o troço entre Songo e Matambo, ligando a zona onde se localiza a barragem de Cahora Bassa à subestação de Matambo, no distrito de Changara.
O investimento surge num contexto de recuperação da produção eléctrica nacional. No primeiro semestre de 2026, Moçambique produziu cerca de 8,06 milhões de megawatts-hora (MWh), um aumento de 8,8% em relação ao período homólogo de 2025, segundo dados do Governo.
A recuperação foi impulsionada pelo aumento da geração hídrica, após as condições hidrológicas adversas que afectaram o sector em 2025. Em Julho, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa anunciou que a capacidade útil armazenada na albufeira tinha atingido 56%, permitindo levantar restrições operacionais.
Em 2025, a produção total de electricidade no País recuou 25,4%, para 14,4 milhões de MWh, reflectindo sobretudo a quebra de 30,7% na produção das centrais hídricas.