A informação foi avançada pelo governante durante o encerramento da sua visita de trabalho à província da Zambézia, onde reafirmou o compromisso do Executivo em reforçar a fiscalização e responsabilizar os profissionais envolvidos em práticas que comprometem a qualidade dos serviços prestados à população.
"Temos mais de 50 funcionários da Saúde expulsos por desvio de medicamentos, cobranças ilícitas e mau atendimento. Estes são três grandes problemas que estamos a combater no sector, e já há evidências de colegas que, infelizmente, estão fora do sistema, porque somos intolerantes a este tipo de práticas", afirmou Hussene Isse.
Segundo o ministro, as autoridades sanitárias estão a intensificar os mecanismos de controlo interno, com vista a identificar e responsabilizar os funcionários envolvidos no desaparecimento de medicamentos e noutras irregularidades registadas nas unidades sanitárias públicas.
O governante defendeu que todas as denúncias devem ser devidamente investigadas e, quando confirmadas, resultar na aplicação de medidas disciplinares.
"Quando houver denúncias em relação ao roubo de medicamentos e ao mau atendimento, não há outro caminho senão afastar estas pessoas do sistema. O nosso propósito é fazer o bem", declarou.
Governo Investiga Encaminhamento Suspeito de Pacientes Para Farmácias Privadas
Além do desvio de medicamentos, Hussene Isse manifestou preocupação com situações em que pacientes são encaminhados para farmácias privadas, apesar de os medicamentos prescritos poderem estar disponíveis nas unidades sanitárias públicas.
De acordo com o ministro, existem suspeitas de que alguns funcionários das farmácias hospitalares estejam a recusar o fornecimento de medicamentos aos utentes, alegando falta de disponibilidade, para posteriormente os encaminharem para estabelecimentos privados.
"Infelizmente, há situações em que o paciente vai com a receita e, simplesmente, o colega da farmácia não dispensa o medicamento. Diz que não há disponibilidade e depois encaminha o paciente para uma farmácia privada. Este fenómeno interno de resposta negativa, havendo disponibilidade, estamos a investigar", revelou.
Hussene Isse garantiu que as autoridades estão a acompanhar estas situações para esclarecer as circunstâncias dos encaminhamentos e determinar eventuais responsabilidades.
Apesar das denúncias de desvio de fármacos, o ministro rejeitou a existência de uma ruptura generalizada no abastecimento de medicamentos no País, embora reconheça que as irregularidades internas podem comprometer a disponibilidade dos produtos nas unidades sanitárias.
Durante a visita à Zambézia, o governante acompanhou igualmente a assistência médica prestada no âmbito da campanha de cirurgias de hérnia e hidrocele.
Na ocasião, foram identificados dois pacientes com quadros clínicos considerados complexos, que deverão ser transferidos para Maputo, onde serão submetidos a avaliações especializadas para determinar os tratamentos mais adequados.
O Ministério da Saúde reafirma, assim, a intenção de reforçar a disciplina e a responsabilização dos profissionais, numa altura em que o sector procura melhorar a qualidade do atendimento e garantir maior transparência na gestão dos medicamentos destinados à população.