A informação foi avançada pela ministra das Finanças, Carla Loveira, durante um encontro com o director-geral adjunto do FMI, Bo Li, realizado na quarta-feira, 14 de Outubro, em Banguecoque, na Tailândia, à margem das reuniões internacionais das instituições financeiras.
Segundo um comunicado do Ministério das Finanças, a governante apresentou um balanço da situação económica de Moçambique, destacando sinais de recuperação gradual, apesar das pressões financeiras que continuam a afectar a capacidade do Estado para cumprir os seus compromissos.
No segundo trimestre de 2026, a economia moçambicana registou um crescimento homólogo de aproximadamente 1,7%, enquanto a inflação se situou em 7%, influenciada, entre outros factores, pela persistência das pressões sobre os preços dos combustíveis.
Apesar deste cenário, o Executivo mantém a perspectiva de que a inflação permaneça abaixo dos dois dígitos até ao final do ano.
Carla Loveira reconheceu, contudo, que as dificuldades de tesouraria continuam a representar um dos principais desafios da gestão das finanças públicas, limitando a capacidade de execução das despesas previstas no orçamento e dificultando o pagamento integral e atempado do serviço da dívida.
A ministra manifestou, ainda assim, confiança nas perspectivas económicas de médio prazo, sustentadas pelas reformas fiscais em curso e pelo potencial dos projectos de exploração de gás natural liquefeito.
"Apesar destes desafios de curto prazo, continuamos plenamente confiantes no potencial de médio prazo de Moçambique, particularmente em resultado das reformas fiscais em curso e dos benefícios que os projectos de gás natural liquefeito poderão trazer à nossa economia", afirmou a governante, segundo o comunicado.
Governo Aposta no Gás Natural para Reforçar Economia
Durante o encontro, Carla Loveira destacou a retoma, em Janeiro de 2026, do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, bem como os avanços registados noutros empreendimentos estratégicos, incluindo o projecto Coral Norte.
A ministra apontou igualmente a retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) como um desenvolvimento importante para o reforço da confiança dos investidores e da credibilidade do sistema financeiro nacional.
Segundo a governante, a implementação coordenada de reformas fiscais e estruturais poderá contribuir para criar, gradualmente, maior margem orçamental, permitindo financiar despesas sociais prioritárias, estimular a actividade económica e atrair novos investimentos.
O Executivo considera que o desenvolvimento dos projectos de gás natural, associado à melhoria da gestão das finanças públicas, poderá desempenhar um papel importante na recuperação económica e no fortalecimento da capacidade financeira do Estado.
FMI Defende Continuidade das Reformas
Por sua vez, o director-geral adjunto do FMI, Bo Li, encorajou Moçambique a manter o diálogo e a cooperação com a instituição, com vista ao restabelecimento da estabilidade macroeconómica e à recuperação do crescimento económico.
O responsável destacou igualmente a importância de proteger as populações mais vulneráveis, num contexto em que as dificuldades orçamentais condicionam a capacidade de resposta do Estado às necessidades sociais.
O encontro reafirmou a importância da cooperação entre Moçambique e o FMI na identificação de soluções para os desafios macroeconómicos e fiscais, bem como na promoção de reformas destinadas a garantir a sustentabilidade das finanças públicas.
Apesar dos sinais de recuperação apresentados pelo Governo, as dificuldades de liquidez continuam a condicionar a gestão financeira do Estado, sobretudo no cumprimento das obrigações da dívida pública e na execução das despesas orçamentadas.