A morte foi confirmada pela Comissão Política da Frelimo, que, em comunicado, lamentou o desaparecimento de uma dirigente que dedicou várias décadas à actividade política e parlamentar em Moçambique.
Ana Rita Sithole foi membro da Comissão Política e do Comité Central da Frelimo, tendo igualmente exercido o mandato de deputada da Assembleia da República durante 30 anos, entre 1994 e 2024. Ao longo do seu percurso parlamentar, integrou a Comissão Permanente e desempenhou as funções de porta-voz do Parlamento.
Professora de formação, a antiga parlamentar esteve também ligada às actividades de mobilização política e às estruturas de organização da Frelimo, partido no qual ocupou diferentes cargos de responsabilidade.
A sua carreira ultrapassou as fronteiras nacionais, tendo assumido a presidência da Assembleia Parlamentar da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (AP-OEACP), bem como a co-presidência da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-União Europeia.
Nestas funções, participou em iniciativas de cooperação e diálogo parlamentar entre países africanos, das Caraíbas, do Pacífico e da União Europeia. Em Maio de 2023, esteve envolvida nas discussões sobre o acordo que sucedeu ao Acordo de Cotonou, tendo mantido contactos com dirigentes internacionais, incluindo o Presidente angolano, João Lourenço.
O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou pesar pela morte da antiga deputada, destacando o seu contributo para o desenvolvimento da actividade parlamentar e para a representação de Moçambique em organizações internacionais.
Numa mensagem de condolências, o Chefe do Estado recordou as responsabilidades assumidas por Ana Rita Sithole ao longo da sua carreira política e endereçou sentimentos de solidariedade à família enlutada, aos amigos e aos seus antigos colegas.
Também a bancada parlamentar da Frelimo lamentou a morte da dirigente, considerando que o seu desaparecimento representa uma perda para o partido, para a Assembleia da República e para o País.
Ana Rita Sithole integrou ainda a Geração 8 de Março e esteve envolvida em actividades de alfabetização de adultos, antes de consolidar a sua carreira política. Ao longo da sua trajectória, defendeu a valorização da mulher moçambicana, a profissionalização do Parlamento e o reforço das instituições democráticas.
Nos últimos anos, encontrava-se afastada da linha da frente da actividade política devido a problemas de saúde, depois de uma longa carreira marcada pela participação nos órgãos de direcção da Frelimo e pela representação parlamentar de Moçambique.