O anúncio foi feito em Luanda, no final de um encontro com a Presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, que realiza uma visita de Estado de dois dias a Angola. Durante a ocasião, os dois países assinaram oito instrumentos de cooperação em diferentes áreas, incluindo pescas, turismo, desporto e cultura.
João Lourenço explicou que Angola tem vindo a partilhar com a Namíbia a sua experiência na pesquisa, produção e comercialização de petróleo, numa altura em que o país vizinho se prepara para desenvolver a sua própria indústria petrolífera.
Segundo o estadista angolano, a participação da Namíbia na refinaria do Lobito poderá garantir ao país maior acesso a combustíveis refinados, numa perspectiva de integração económica regional.
"Angola já tem vindo a cooperar com a Namíbia, a partilhar a longa experiência que temos no domínio da pesquisa, da produção e da comercialização de petróleo", afirmou João Lourenço.
O Presidente acrescentou que a refinaria, quando estiver concluída, terá capacidade para produzir combustíveis como gasóleo e gasolina, permitindo abastecer o mercado angolano e responder à procura dos países vizinhos, com prioridade para os que integrarem a estrutura accionista do empreendimento.
A iniciativa enquadra-se na estratégia de Angola de reduzir a dependência da exportação de petróleo bruto e aumentar a capacidade nacional de refinação, procurando acrescentar valor aos recursos naturais antes da sua comercialização.
João Lourenço defendeu que os países produtores devem investir na transformação interna do petróleo, tendo em conta as vulnerabilidades das cadeias internacionais de abastecimento, agravadas pelos conflitos geopolíticos.
"Nós, os exploradores de petróleo, por maioria de razão, temos que prestar muita atenção à necessidade de vendermos cada vez menos petróleo bruto e passarmos a vender muito mais petróleo já refinado", declarou.
Por sua vez, a Presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, destacou a necessidade de os países africanos adoptarem novas estratégias para aproveitar economicamente os seus recursos naturais, evitando a dependência da exportação de matérias-primas.
"Os nossos países, ambos são ricos em recursos naturais, por isso não devemos permitir mais que os nossos recursos sejam explorados e exportados como matérias-primas", afirmou.
A agenda da visita de Estado inclui ainda uma deslocação da Presidente namibiana à refinaria de Luanda, prevista para terça-feira, 20 de Outubro, com o objectivo de conhecer a experiência angolana no processamento local de petróleo.
A eventual entrada da Namíbia no capital da refinaria do Lobito poderá representar um novo passo na cooperação energética entre os dois países, embora ainda não tenham sido divulgados os termos financeiros nem a percentagem de participação proposta.
O projecto é considerado estratégico para Angola, que procura aumentar a produção interna de combustíveis, reduzir a dependência das importações de derivados de petróleo e posicionar-se como fornecedor regional de produtos refinados.