A expulsão foi aprovada durante a terceira sessão ordinária do Conselho Nacional, realizada em Maputo, na sequência de um processo disciplinar relacionado com comportamentos que a direcção considera contrários aos princípios e às normas internas da organização.
Segundo o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, a medida foi aprovada pela maioria dos conselheiros com direito a voto, tendo como principal objectivo preservar a disciplina, a coesão e a unidade partidária.
"Nós cumprimos as regras", afirmou Macome, acrescentando que a aplicação de medidas disciplinares pretende desencorajar comportamentos susceptíveis de aprofundar as divergências entre os membros da organização.
A decisão ocorre numa altura em que António Muchanga se tem destacado como uma das principais vozes de contestação à liderança de Ossufo Momade. Nos últimos meses, o antigo deputado tem defendido publicamente a saída do presidente da Renamo, associando-se aos sectores que exigem uma renovação da direcção partidária.
As divergências entre Muchanga e a liderança do partido chegaram igualmente aos tribunais. Contudo, Marcial Macome esclareceu que a existência de processos judiciais não impede a aplicação de sanções disciplinares internas, sublinhando que a expulsão não se estende automaticamente aos restantes membros ligados ao movimento de contestação.
Em reacção à decisão, António Muchanga declarou à televisão Miramar que iria reunir-se com os seus advogados para avaliar os próximos passos, não afastando a possibilidade de avançar com um projecto político próprio.
"Eu sou a RENAMO, a decisão ainda não foi efectivada", afirmou o político, manifestando reservas quanto aos efeitos da deliberação.
Por sua vez, Ossufo Momade classificou a expulsão como uma decisão "difícil e dolorosa", considerando, no entanto, que a medida era necessária para proteger a organização num período marcado por divergências internas.
A crise interna coincide com o debate sobre o futuro da liderança da Renamo. No encerramento do Conselho Nacional, Ossufo Momade anunciou que o próximo congresso do partido está previsto para o segundo semestre de 2027, contrariando as exigências dos sectores que defendem a realização do encontro ainda em 2026.
A decisão de adiar a escolha de uma nova liderança prolonga a disputa interna numa das principais formações políticas de Moçambique, que enfrenta pressões para reorganizar as suas estruturas e recuperar a confiança dos seus membros e apoiantes.