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RDC Começa a Vacinar contra o Ébola para Travar o Surto Mais Rápido da História

Profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha da frente são os primeiros a receber a vacina Ervebo, numa campanha lançada em Kisangani, na província de Tshopo.

há 1h 3 min
RDC Começa a Vacinar contra o Ébola para Travar o Surto Mais Rápido da História

A República Democrática do Congo iniciou a vacinação da população contra o ébola, numa tentativa de conter um surto que as autoridades de saúde classificam como o de crescimento mais rápido da história. A campanha arrancou em Kisangani, no leste do país, com prioridade para profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha da frente.

O ministro da Saúde, Roger Kamba, afirmou na quinta-feira (27) que a vacina escolhida foi a Ervebo para proteger, primeiro, quem está na linha da frente. A campanha começou em Kisangani, capital da província de Tshopo, uma das seis províncias afectadas pelo surto de ébola no leste do país.

Os profissionais de saúde e outros trabalhadores expostos no terreno estão a ser priorizados. Kamba apelou à sua vacinação, dizendo que a medida pode protegê-los da doença e reduzir o risco de transmissão às comunidades.

Até terça-feira, a RDC tinha registado 5713 casos confirmados, incluindo 2744 mortes, segundo dados do Governo. O surto está concentrado sobretudo na província de Ituri e é considerado o mais letal dos 17 surtos de ébola já registados no país.

A propagação está a acontecer em condições difíceis, devido à insegurança, às deslocações da população, à greve dos profissionais de saúde e aos intensos movimentos populacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a situação continua fora de controlo e que poderá ultrapassar o surto da África Ocidental entre 2014 e 2016, o mais mortífero de que há registo, com mais de 11 mil mortes, sobretudo na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

A epidemia também chegou ao Uganda, onde a OMS declarou o fim do surto na quarta-feira, depois de terem sido registadas 20 infecções confirmadas, incluindo 15 consideradas importadas da República Democrática do Congo, com duas mortes. A RDC, que faz fronteira com Angola, recebeu mais de 50 mil doses da Ervebo, segundo a agência de notícias estatal do país.

A OMS informou na semana passada que 70 mil doses da Ervebo foram aprovadas para utilização na RDC. Cerca de 50 mil destinam-se a profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha da frente, enquanto as restantes 20 mil serão usadas num ensaio clínico para avaliar a capacidade da vacina de proteger contra a variante Bundibugyo, responsável pelo actual surto e para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico.

A Ervebo está a ser usada ao abrigo de um programa de uso compassivo, que permite a utilização de um produto médico em situações de doença grave, mesmo quando não foi especificamente aprovado para essa finalidade. As autoridades de saúde consideram que a vacina poderá oferecer alguma protecção contra a variante Bundibugyo devido à relação entre as duas variantes. Placide Mbala Kingebeni, director de investigação, ensaios clínicos e inovação do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, disse que serão recolhidos dados durante a campanha para avaliar a eficácia da vacina.

Segundo a Bloomberg, a farmacêutica egípcia Minapharm prepara-se para avançar para ensaios em seres humanos de uma vacina contra a variante Bundibugyo. A empresa deverá receber até 16,5 milhões de dólares da Coligação para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) para financiar o desenvolvimento pré-clínico e um ensaio clínico inicial, previsto para decorrer em África.

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