Flávio Bolsonaro Promete Amnistia ou Indulto para Jair Bolsonaro se For Eleito

Flávio Bolsonaro disse à TV Globo que, se for eleito presidente do Brasil, vai trabalhar por uma amnistia para Jair Bolsonaro e para os condenados pela tentativa de golpe de Estado e, se essa solução falhar no Congresso, avançará com um indulto presidencial. O senador de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e principal nome da oposição a Lula da Silva, fez a promessa numa entrevista publicada a 28 de agosto de 2026, a poucos dias das eleições de 4 de outubro.
Na entrevista, Flávio Bolsonaro repetiu que quer beneficiar o pai, condenado em 2025 pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado no processo AP 2668. O ex-presidente está actualmente em prisão domiciliária humanitária, após a condenação.
“Eu, como Presidente da República, vou trabalhar para que a amnistia seja feita ainda na transição e, caso não ocorra, um indulto”, afirmou. A amnistia depende do Congresso Nacional e pode extinguir penas ou condenações de determinados crimes; o indulto é uma prerrogativa do Presidente da República, concedida por decreto, que pode extinguir ou reduzir penas.
Flávio Bolsonaro classificou o julgamento do pai como “uma grande farsa” e disse que Jair Bolsonaro foi julgado “pelos seus inimigos”. Segundo o senador, os juízes que condenaram o antigo presidente foram nomeados por Lula da Silva. Acrescentou ainda que Jair Bolsonaro estava em Miami quando milhares de bolsonaristas atacaram, em Brasília, as sedes dos Três Poderes, a 8 de janeiro de 2023, e contestou a ideia de que o pai pudesse ser responsabilizado pelos ataques.
A TV Globo está a entrevistar os seis candidatos mais bem colocados antes das presidenciais de 4 de outubro, num ciclo de conversas com os principais nomes da corrida. No caso de Flávio, a entrevista também incluiu perguntas sobre o filme “Dark Horse”, que conta a vida de Jair Bolsonaro, e sobre alegados fundos do banqueiro Daniel Vorcaro, actualmente preso por fraude financeira envolvendo milhões de reais.
Flávio Bolsonaro disse que não há nada de errado em um filho procurar financiamento privado para um filme sobre o próprio pai. Negou ter recorrido à Lei Rouanet, mecanismo brasileiro de incentivo cultural com recursos públicos, e garantiu que o patrocínio não teve qualquer transferência para si.
“Eu não fui buscar dinheiro na Lei Rouanet. Eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos. E esse foi um patrocínio que não teve, não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai”, afirmou.
O senador disse ainda que respeitará o processo eleitoral e o resultado das eleições. “Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições, eu estou a concorrer à Presidência da República e vou ser Presidente da República com essas regras”, declarou.
Flávio Bolsonaro já tinha criticado anteriormente o voto electrónico e afirmou noutras ocasiões que as urnas electrónicas foram feitas na Venezuela. No total, as eleições brasileiras de 2026 terão 13 candidatos presidenciais, com Lula da Silva e Flávio Bolsonaro a liderarem as sondagens entre os favoritos.
Na última sondagem DataFolha, divulgada a 21 de agosto, Lula aparecia com 39% das intenções de voto na primeira volta e Flávio Bolsonaro com 33%. Num eventual segundo turno, Lula surgia com 47% e Flávio com 43%. A próxima grande sondagem referida na fonte será divulgada pela Quaest em 2 de setembro.








