O anúncio foi feito esta quarta-feira, 7 de Outubro, em Maputo, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, após uma reunião do Comité de Amêndoas destinada à definição do preço de referência para a nova campanha.
“Uma vez que houve debate antecipado e tendo em conta os consensos alcançados neste debate, anunciamos formalmente que o Comité de Amêndoas estabelece o preço de referência ao produtor de 48 meticais por quilograma”, afirmou Roberto Albino.
Segundo o ministro, na presente campanha vai igualmente vigorar uma taxa de sobrevalorização da castanha de 22%, contra 18% aplicados no ano passado.
Roberto Albino apelou aos produtores para continuarem a investir no cultivo e conservação dos cajueiros, ao mesmo tempo que encorajou os industriais a manterem os investimentos na cadeia de processamento.
Durante o encontro, o governante manifestou também preocupação com o contrabando de castanha de caju, indicando que cerca de 35 mil toneladas foram retiradas ilegalmente do País nos últimos três anos.
De acordo com dados do Instituto de Amêndoas, o fenómeno terá provocado prejuízos estimados em 457 milhões de meticais.
O ministro defendeu maior responsabilização dos envolvidos, considerando que o contrabando prejudica as receitas do Estado e a entrada de divisas na economia.
“Se queremos acabar com os contrabandistas em Moçambique, temos que criminalizar, temos que tratar como furto ao erário público. Tem que dar direito à cadeia”, declarou.
Segundo Roberto Albino, as autoridades têm conhecimento de empresas envolvidas na exportação não declarada de castanha de caju para mercados como a Índia e o Vietname.
Dados do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas indicam que Moçambique chegou a produzir mais de 200 mil toneladas de castanha de caju por ano há cerca de 50 anos, tendo sido um dos maiores produtores mundiais.
Após a independência, a produção caiu significativamente, chegando a situar-se entre 15 mil e 20 mil toneladas anuais, mas tem vindo a recuperar gradualmente.
A cadeia de valor das amêndoas envolve actualmente cerca de 1,047 milhão de famílias, 69 empresas e mais de sete mil trabalhadores em todo o País.