A informação foi avançada por Sónia Jorge, directora-executiva da Parceria Global para a Inclusão Digital, durante a apresentação da proposta estratégica “Internet para Todos”, desenvolvida em parceria com o Governo moçambicano.
Citando dados da GSMA, Sónia Jorge indicou que Moçambique conta actualmente com cerca de 5,6 milhões de assinantes individuais de internet móvel.
Apesar disso, estimativas da União Internacional de Telecomunicações apontam para aproximadamente 20% da população com algum tipo de acesso à internet, incluindo pessoas que utilizam redes em escolas, locais de trabalho, centros comunitários e outros pontos públicos.
Segundo Sónia Jorge, a capacidade financeira continua a ser uma das principais barreiras à inclusão digital no País.
“Mais de 80% da população vive com menos de três dólares por dia, o que torna os serviços digitais praticamente inacessíveis”, afirmou.
A responsável questionou igualmente os indicadores de cobertura apresentados pelas operadoras, que apontam para níveis próximos de 90%.
“Supostamente, existe uma cobertura de rede em torno de 90%, mas, na realidade, eu questionaria esses indicadores”, afirmou.
Segundo explicou, muitas pessoas possuem smartphones, mas não conseguem manter uma ligação regular à internet através de pacotes de dados móveis, recorrendo sobretudo a redes sem fios gratuitas e outros pontos públicos de acesso.
“A maior parte da conectividade em Moçambique é o que chamamos de conectividade marginal”, disse.
Sónia Jorge alertou também para as desigualdades no acesso entre homens e mulheres, indicando que apenas entre 16% e 18% das mulheres conectadas dispõem de condições consideradas adequadas para uma utilização regular e significativa da internet.
A responsável defendeu que o aumento da conectividade deve traduzir-se em benefícios concretos para a população, incluindo acesso à informação, desenvolvimento de negócios e criação de novas oportunidades económicas.
“Não queremos que as pessoas entrem na internet para sofrer. Queremos que elas possam aceder à informação, gerir os seus negócios, expandir oportunidades e melhorar as suas vidas”, afirmou.
A estratégia “Internet para Todos”, implementada pelo Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique, estabelece metas até 2030, incluindo o aumento da utilização da internet, o reforço da alfabetização digital, a expansão de pontos públicos de acesso e a melhoria da qualidade e acessibilidade dos serviços de conectividade.