A decisão foi comunicada esta quinta-feira, numa altura em que Embaló tinha anunciado a intenção de regressar voluntariamente à Guiné-Bissau no domingo, 4 de Outubro.
Segundo o Alto Comando Militar, a decisão assenta em razões de segurança nacional, preservação da ordem pública e prevenção de situações susceptíveis de comprometer a estabilidade e a tranquilidade social.
As autoridades militares reiteraram igualmente que permanecem em vigor as medidas adoptadas no quadro da transição política, incluindo a proibição de manifestações, concentrações e outras aglomerações de carácter político até nova determinação.
O comunicado surge depois de apoiantes de Umaro Sissoco Embaló terem iniciado preparativos para uma eventual recepção ao antigo chefe de Estado.
Embaló tinha anunciado, no início da semana, o seu regresso ao país e declarou posteriormente, numa entrevista à revista Jeune Afrique, a intenção de se candidatar às eleições presidenciais marcadas para 6 de Dezembro.
Em reacção à posição dos militares, uma conta de Facebook atribuída a Umaro Sissoco Embaló indicou que o antigo Presidente irá aguardar pelo levantamento das restrições.
Na mesma publicação, Embaló manifestou a expectativa de que as autoridades judiciais analisem a sua eventual candidatura de forma imparcial, independente e em conformidade com os princípios da justiça.
O antigo Presidente apelou ainda aos seus apoiantes, simpatizantes e restantes cidadãos guineenses para manterem a calma e evitarem comportamentos susceptíveis de provocar instabilidade, insegurança ou confrontos.
Umaro Sissoco Embaló foi afastado do poder pelos militares a 26 de Novembro de 2025, pouco antes da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais.
A oposição classificou na altura a intervenção militar como um “golpe cerimonial” e sustentou que Fernando Dias da Costa tinha vencido as eleições à primeira volta.
O golpe foi liderado pelo general Horta Inta-a, antigo responsável pela segurança presidencial de Embaló.
Desde então, a Guiné-Bissau permanece sob uma estrutura de transição dirigida pelos militares, que mantêm restrições a actividades políticas enquanto decorre o processo de reorganização institucional e preparação do novo calendário eleitoral.