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88% dos Empresários Avaliam Negativamente o Ambiente de Negócios em Moçambique

Por Francisco Novela 2 min
88% dos Empresários Avaliam Negativamente o Ambiente de Negócios em Moçambique

Cerca de 88% dos empresários ouvidos no Barómetro de Negócios entre Moçambique e Portugal avaliam de forma negativa o actual ambiente de negócios, num contexto marcado por escassez de divisas, limitações orçamentais, fraca confiança e incertezas económicas internas e externas.

Os resultados foram apresentados esta quarta-feira (2) e mostram que a percepção dos empresários continua condicionada pelos efeitos da instabilidade pós-eleitoral registada no final de 2024 e início de 2025, bem como pela contracção da actividade económica.

Segundo o partner da PwC, João Veiga, estes factores acabam por reforçar-se entre si e reduzir a capacidade de investimento das empresas.

“Primeiro, a instabilidade pós-eleitoral no final de 2024, início de 2025, que afectou a confiança, o comércio e a execução de determinadas decisões de investimento. Depois, temos limitações a nível orçamental, que diminuem a capacidade de realizar investimento público e financiar projectos. Por último, a escassez de divisas”, explicou.

Veiga acrescentou que a menor confiança acaba por reduzir o investimento e, por consequência, limitar o crescimento económico.

Apesar do cenário de pessimismo, o barómetro indica que 41% dos inquiridos esperam uma evolução favorável dos negócios e 57% antecipam um cenário positivo para o investimento.

As projecções apontam ainda para uma possível aceleração da economia moçambicana a partir de 2030, impulsionada pela entrada em produção de grandes projectos de gás natural.

O secretário de Estado do Comércio de Portugal, João Rui Ferreira, defendeu que a transformação das oportunidades em negócios depende da capacidade das empresas de encontrar mercados e clientes.

“Nós podemos ter o melhor produto do mundo. Se não tivermos clientes, a nossa empresa não vai ter sucesso”, afirmou.

Já o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defendeu uma maior aposta no investimento e na produção conjunta entre os dois países.

“A questão que nos devemos colocar hoje não é saber qual é o valor das trocas comerciais, quanto é que comerciamos, mas quanto podemos investir juntos, quanto podemos produzir juntos e quanto valor podemos criar juntos”, afirmou.

Na mesma linha, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu relações empresariais de longo prazo.

“Não procuramos apenas empresas que venham para Moçambique. Procuramos parceiros que inovem e que produzam com Moçambique numa perspectiva de longo prazo”, disse.

Actualmente, mais de 500 empresas portuguesas operam em Moçambique. Os participantes consideram que esta presença pode servir de base para uma nova fase das relações económicas entre os dois países, apesar dos actuais desafios.