Novo Governador do Banco de Moçambique Vai Sentar-se com Bancos para Desvendar Falta de Divisas

O novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Dinis Navalha, anunciou que vai reunir-se com os bancos comerciais para perceber as razões da escassez de divisas no mercado e procurar soluções para um problema que tem afectado empresas e importadores.
A posição foi apresentada esta quarta-feira (2), em Maputo, depois da tomada de posse no cargo. Navalha reconheceu que existe falta de moeda estrangeira no mercado, apesar de os dados do banco central indicarem que o País mantém reservas internacionais em níveis considerados aceitáveis.
“É visível que temos estado a observar no mercado alguma escassez de divisas, mas os relatórios do banco indicam que há reservas em níveis aceitáveis”, afirmou.
O novo governador explicou que pretende, numa primeira fase, confirmar os dados disponíveis e depois ouvir os bancos comerciais para compreender os constrangimentos enfrentados na disponibilização de moeda estrangeira às empresas e aos clientes.
Segundo Navalha, são os bancos comerciais que têm contacto directo com grande parte das operações cambiais, razão pela qual considera necessário perceber o que está a acontecer no sistema antes da adopção de novas medidas.
Só depois desse diagnóstico, acrescentou, poderão ser desenhadas políticas e estratégias destinadas a melhorar a disponibilidade de divisas no mercado.
A escassez de moeda estrangeira tem sido uma das principais preocupações apresentadas pelo sector privado. Empresários têm relatado dificuldades para obter divisas destinadas à importação de matérias-primas, equipamentos e outros bens necessários ao funcionamento das empresas.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique chegou a classificar a situação como uma “emergência económica”, alertando que a falta de moeda externa limita importações, investimentos e o cumprimento de contratos.
Em Junho, as Reservas Internacionais Líquidas de Moçambique situavam-se em cerca de 3,46 mil milhões de dólares, depois de terem atingido um máximo histórico de 4,25 mil milhões de dólares em Fevereiro.
Navalha assume o Banco de Moçambique depois de 28 anos de carreira na instituição e sucede a Rogério Zandamela, que deixou o cargo após dois mandatos.
Na cerimónia de posse, o Presidente da República, Daniel Chapo, desafiou o novo governador a contribuir para a estabilidade macroeconómica e a encontrar respostas para os problemas que afectam directamente a actividade económica, entre os quais a escassez de divisas.








