O que É o Ébola e por que o Novo Surto no Congo Está a Ser Difícil de Travar

A República Democrática do Congo enfrenta o maior surto de Ébola alguma vez registado no país, provocado por uma forma menos comum do vírus e num contexto marcado por conflitos, deslocações populacionais e dificuldades no acesso aos serviços de saúde.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 26 de Agosto tinham sido confirmados 5794 casos e 2786 mortes na República Democrática do Congo, o equivalente a uma taxa de letalidade de cerca de 48%. A doença já tinha atingido 60 zonas de saúde em seis províncias, mantendo Ituri como principal epicentro.
O Ébola é uma doença viral grave e frequentemente mortal. Pode passar dos animais para os seres humanos e, depois, transmitir-se entre pessoas através do contacto directo com sangue, secreções e outros fluidos corporais de alguém infectado, bem como através de objectos contaminados. Uma pessoa infectada não transmite o vírus antes de apresentar sintomas.
Os primeiros sinais podem surgir entre dois e 21 dias depois da infecção e incluem febre, cansaço, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. À medida que a doença progride, podem surgir vómitos, diarreia, dores abdominais e problemas no funcionamento dos rins e do fígado. As hemorragias, apesar de frequentemente associadas ao Ébola, não aparecem em todos os doentes.
Um dos principais problemas do actual surto é precisamente a dificuldade de reconhecer rapidamente os primeiros casos. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de doenças comuns na região, como malária e febre tifóide, o que pode atrasar o diagnóstico e permitir que uma pessoa infectada tenha contacto com familiares, profissionais de saúde e outras pessoas antes de ser isolada.
Por Que Este Surto Está a Ser Mais Difícil de Conter?
Há outro factor que torna este surto diferente. A doença está a ser provocada pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies capazes de causar Ébola e para a qual não existe uma vacina especificamente licenciada nem um tratamento antiviral aprovado.
Existem vacinas e terapias eficazes contra outras formas da doença, enquanto investigadores continuam a testar alternativas para o Bundibugyo.
A insegurança no leste da República Democrática do Congo também está a dificultar a resposta. Algumas das zonas afectadas convivem com conflitos armados, deslocações de milhares de pessoas e movimentos frequentes entre comunidades e fronteiras.
Estas condições tornam mais difícil localizar contactos de pessoas infectadas, transportar equipas médicas, realizar testes e acompanhar possíveis novos casos.
A OMS considera o risco dentro da República Democrática do Congo muito elevado. Além da expansão geográfica do surto, a organização aponta infecções entre profissionais de saúde, limitações da capacidade laboratorial, insegurança e dificuldades para interromper todas as cadeias de transmissão. Casos ligados ao surto também chegaram a ser identificados fora do país, incluindo no Uganda.
Para travar a doença, as autoridades congolesas e a OMS estão a reforçar a vigilância, o rastreio de contactos, os laboratórios, os centros de tratamento e as medidas de prevenção nas comunidades.
A resposta depende também da identificação rápida de pessoas com sintomas, da redução do contacto desprotegido com fluidos corporais e da adopção de procedimentos seguros nos funerais de vítimas da doença.
Apesar dos avanços na resposta, a combinação entre uma forma rara do vírus, ausência de ferramentas médicas específicas, elevada mobilidade populacional e insegurança faz com que o actual surto continue a representar um dos maiores desafios de saúde pública enfrentados pela República Democrática do Congo nos últimos anos.








