Chapo Diz que Dívida do Estado Não Pode Tirar Crédito Às Empresas

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta quarta-feira que o aumento da dívida pública interna não deve reduzir o dinheiro disponível para financiar empresas e sectores produtivos da economia.
A posição foi apresentada, em Maputo, durante a cerimónia de tomada de posse do novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Dinis Navalha.
Segundo Chapo, o Estado tem necessidades de financiamento, mas isso não pode comprometer o acesso ao crédito por parte das empresas, incluindo as que actuam na agricultura, indústria, turismo, transportes, logística e outros sectores.
“O Estado deve financiar as suas necessidades, mas as empresas também precisam de financiamento”, afirmou o Chefe do Estado, sublinhando a importância de garantir crédito para pequenas e médias empresas, jovens e mulheres empreendedoras.
A preocupação surge num contexto em que a dívida pública interna continua a crescer. Dados do Ministério das Finanças indicam que, no primeiro semestre de 2026, a dívida interna aumentou 16%, para cerca de 551,8 mil milhões de meticais.
Chapo alertou que o recurso frequente ao mercado interno para financiar o Estado pode pressionar as taxas de juro, reduzir a liquidez no sistema financeiro e limitar os recursos disponíveis para financiar a economia produtiva.
O Presidente defendeu, por isso, maior coordenação entre o Ministério das Finanças, o Banco de Moçambique e o sistema financeiro, com o objectivo de melhorar a gestão da liquidez pública e reduzir necessidades evitáveis de endividamento.
Durante a intervenção, Chapo abordou igualmente a falta de divisas, uma das preocupações apresentadas por empresários e agentes económicos.
Segundo o Presidente, a solução para o problema não depende apenas da política cambial ou do Banco de Moçambique, mas também do aumento da produção e das exportações.
Chapo defendeu que Moçambique precisa de produzir mais, exportar mais, diversificar os produtos vendidos ao exterior, transformar localmente os recursos naturais e atrair investimento produtivo.
Para o Chefe do Estado, uma maior coordenação entre as políticas monetária, financeira e fiscal será essencial para garantir estabilidade económica sem limitar o financiamento às empresas.








