Falando em Lichinga, na província do Niassa, Carvalho defendeu que os membros devem respeitar as estruturas e os símbolos da RENAMO, rejeitando as acções protagonizadas por sectores que contestam a actual direcção.
“Este é o momento de nos unirmos, abraçarmo-nos e respeitarmos a estrutura e os símbolos do partido”, afirmou.
O dirigente criticou igualmente a autoproclamada comissão de gestão da RENAMO, formada por antigos guerrilheiros e outros membros descontentes com a liderança de Ossufo Momade.
Carvalho considera que as divergências internas devem ser resolvidas dentro das estruturas partidárias e defendeu que os contestatários regressem ao diálogo interno.
As declarações surgem numa altura em que a RENAMO se prepara para realizar o seu Conselho Nacional, marcado para os dias 21 e 22 de Outubro, em Maputo.
O encontro deverá analisar a situação interna do partido e ocorre num contexto de forte pressão sobre Ossufo Momade, cuja liderança tem sido contestada por antigos guerrilheiros, dirigentes e outros membros da formação política.
Os críticos acusam Momade de má gestão, falta de pagamento de pensões e subsídios e de não conseguir ultrapassar a crise interna que afecta o partido.
Nos últimos meses, antigos guerrilheiros chegaram a ocupar sedes da RENAMO em várias províncias, exigindo a saída do actual líder e a convocação de mecanismos internos para redefinir a liderança.
Na quarta-feira, membros da autoproclamada comissão nacional de gestão voltaram a acusar Ossufo Momade de usar a convocação do Conselho Nacional como estratégia para permanecer no cargo.
O Conselho Nacional chegou a estar previsto para Março, mas acabou por não se realizar. Posteriormente, o partido indicou que o encontro teria lugar ainda no primeiro semestre, o que também não aconteceu.
Ossufo Momade lidera a RENAMO desde 2018, quando sucedeu a Afonso Dhlakama. Foi reeleito presidente do partido em Maio de 2024.
Nas eleições gerais de Outubro de 2024, Momade obteve cerca de 6% dos votos, naquele que foi o pior resultado de sempre de um candidato presidencial apoiado pela RENAMO. O partido perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição.
A realização do Conselho Nacional é vista como um dos momentos decisivos para o futuro da liderança e para a tentativa de conter as divisões internas no partido.