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ONU Apoia 1,2 Milhões de Pessoas em Moçambique

ONU Apoia 1,2 Milhões de Pessoas em Moçambique
Por Hemerson Chiziane 2 min

Pelo menos 1,2 milhões de pessoas receberam assistência humanitária em Moçambique ao longo de 2025 através de um fundo das Nações Unidas destinado a responder aos impactos dos eventos climáticos, conflitos armados e outras situações de emergência.

Segundo o relatório anual do Fundo Humanitário de Moçambique, o mecanismo canalizou cerca de 1,9 milhões de euros para operações de assistência em várias regiões do país.

O documento indica que cerca de 1,3 milhões de pessoas necessitaram de apoio humanitário em 2025, num contexto marcado pela insurgência em Cabo Delgado, ciclones, surtos de cólera e outras vulnerabilidades.

As operações financiadas pelo fundo incluíram assistência multissectorial nos distritos de Macomia e Quissanga, em Cabo Delgado, bem como mecanismos de resposta rápida a ciclones, cheias e surtos de doenças em diferentes pontos do país.

A coordenadora humanitária das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, destacou o papel das organizações nacionais e locais na resposta às comunidades afectadas.

Segundo o relatório, 96% dos 2,3 milhões de dólares disponibilizados pelo fundo em 2025 foram canalizados directamente para organizações não-governamentais nacionais e locais.

As Nações Unidas consideram que este modelo permite uma resposta mais rápida e próxima das comunidades, sobretudo em zonas de difícil acesso.

A situação humanitária manteve-se particularmente crítica no norte de Moçambique, onde a insegurança continuou a provocar deslocações e novas necessidades de assistência.

Em Cabo Delgado, a escalada da violência afectou mais de 134 mil pessoas durante o ano, enquanto cerca de 300 pessoas terão sido raptadas desde Janeiro de 2025 por grupos armados não estatais.

Para além do conflito, os ciclones Chido, Dikeledi e Jude provocaram danos significativos em infra-estruturas, habitações e meios de subsistência entre Dezembro de 2024 e Março de 2025.

O Fundo Humanitário de Moçambique integra um mecanismo regional para a África Oriental e Austral e recebeu, em 2025, contribuições do Reino Unido, Irlanda, Noruega e Estónia.

No total, os quatro países contribuíram com cerca de 3,3 milhões de dólares para o mecanismo regional.

Desde 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou milhares de mortes e deslocou mais de um milhão de pessoas.

Ao mesmo tempo, Moçambique continua entre os países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando regularmente ciclones, cheias e outros fenómenos extremos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a última época chuvosa provocou 311 mortes e afectou cerca de 1,07 milhões de pessoas em diferentes regiões do país.

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