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Mondlane Promete Revelações sobre o Regime Durante Julgamento

Mondlane Promete Revelações sobre o Regime Durante Julgamento
Por Isabel Dalciana 3 min

O político moçambicano Venâncio Mondlane prometeu revelar alegadas irregularidades e práticas de instrumentalização das instituições do Estado durante o seu julgamento, marcado para 17 de Novembro, no Tribunal Supremo, considerando que o processo judicial constitui uma oportunidade para expor aquilo que classifica como mecanismos de politização da justiça em Moçambique.

Numa transmissão em directo realizada através da sua página oficial do Facebook, Mondlane afirmou que o processo ultrapassa a dimensão de uma acusação individual, defendendo que as instituições responsáveis pela sua condução também estarão sujeitas ao escrutínio público.

"É a primeira vez que o próprio regime, a pensar que está a julgar alguém, ele próprio também está a ser julgado", declarou o político, referindo-se ao Governo, ao Tribunal Supremo e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

O antigo candidato presidencial, que voltou a classificar o processo como o "julgamento do século", considera que a audiência poderá constituir um momento determinante para revelar os acontecimentos políticos e judiciais que, na sua perspectiva, estiveram na origem das acusações apresentadas pelo Ministério Público.

Mondlane anunciou que a sua equipa de defesa prepara uma contestação escrita, detalhada e fundamentada, que será traduzida para inglês, francês, italiano e alemão, com o objectivo de divulgar internacionalmente os argumentos da defesa e os acontecimentos relacionados com o processo.

Segundo o político, os documentos a apresentar poderão surpreender a opinião pública, tendo afirmado que os moçambicanos ficarão "embasbacados" e "com os cabelos em pé" quando forem conhecidos os elementos que pretende divulgar.

Durante a intervenção, Mondlane dirigiu críticas ao Ministério Público, acusando a instituição de formular acusações com motivações políticas e de actuar em defesa dos interesses do regime. Estas alegações correspondem à posição do político e não constituem conclusões judiciais sobre a actuação das instituições visadas.

O dirigente defendeu que a contestação ao processo representa uma oportunidade para colocar em discussão o funcionamento do sistema judicial moçambicano, particularmente no que diz respeito à independência das instituições e à sua relação com o poder político.

Mondlane recordou igualmente a decisão de regressar a Moçambique depois de permanecer cerca de três meses no exílio, afirmando estar preparado para enfrentar as consequências do processo, incluindo uma eventual condenação.

O julgamento está relacionado com as manifestações que se seguiram às eleições gerais de 9 de Outubro de 2024, período marcado por protestos e confrontos em várias regiões do País.

No âmbito do processo, o Ministério Público acusa Venâncio Mondlane de crimes que incluem apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.

A audiência estava inicialmente prevista para 6 de Outubro, mas foi posteriormente reagendada para 17 de Novembro, na sequência de um pedido apresentado pela defesa, que invocou incompatibilidade de agendas.

Entretanto, o Tribunal Supremo rejeitou o pedido de transmissão em directo do julgamento, mantendo a proibição de captação audiovisual no interior da sala de audiências. A decisão foi contestada pela defesa de Mondlane, que pretendia assegurar uma divulgação mais ampla das sessões.

Apesar da restrição à transmissão televisiva e digital, o julgamento deverá decorrer em audiência pública, respeitando as condições de acesso e a capacidade da sala.

O processo tem suscitado atenção no panorama político e judicial moçambicano, devido à natureza das acusações, ao envolvimento de uma figura da oposição e às divergências entre a defesa e as autoridades judiciais sobre a condução das audiências.

Com o início do julgamento previsto para Novembro, Mondlane reafirma a intenção de utilizar a sua defesa para contestar as acusações e apresentar elementos que, segundo afirma, poderão colocar em causa a actuação das instituições responsáveis pelo processo.

Até ao momento, as alegações anunciadas pelo político não foram demonstradas em tribunal, cabendo à instância judicial apreciar as provas e os argumentos apresentados pelas partes.

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