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Grande Maputo: Governo e Transportadores Acordam Aumento de Cinco Meticais

Grande Maputo: Governo e Transportadores Acordam Aumento de Cinco Meticais
Por Francisco Novela 3 min

O Governo moçambicano e a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) chegaram a um acordo para aumentar em cinco meticais as tarifas dos transportes semi-colectivos de passageiros na região metropolitana do Grande Maputo, com a entrada em vigor das novas tarifas prevista para 7 de Novembro de 2026.

O entendimento foi confirmado na sexta-feira (30) pelo presidente da FEMATRO, Paulo Muthisse, durante uma conferência de imprensa, na qual esclareceu que o valor acordado ficou abaixo da proposta inicial dos transportadores, que reivindicavam um aumento de 20 meticais por viagem para compensar a subida dos custos operacionais.

Apesar de ter aceite o reajustamento, a organização considera que os cinco meticais são insuficientes para responder às dificuldades financeiras enfrentadas pelos operadores do sector.

"Satisfeito não, porque a nossa proposta era de 20 meticais, os cinco meticais não satisfazem ainda a preocupação do transportador", afirmou Paulo Muthisse, citado pela agência Lusa.

Com a aplicação das novas tarifas, as viagens actualmente cobradas a 15 meticais deverão passar a custar 20 meticais, enquanto os percursos com tarifas de 18 meticais poderão subir para 23 meticais, representando um agravamento directo dos custos de deslocação para milhares de passageiros que utilizam diariamente os transportes semi-colectivos.

O presidente da FEMATRO explicou que, apesar das reivindicações dos operadores, as negociações também tiveram em consideração a capacidade financeira dos cidadãos, procurando encontrar um equilíbrio entre a sustentabilidade da actividade de transporte e o impacto do aumento no orçamento das famílias.

"Nós não só olhamos para o nosso lucro, mas também olhamos para a situação do povo moçambicano. Isso também pesou muito", declarou.

O acordo foi alcançado após várias rondas de negociações entre a FEMATRO e a Agência Metropolitana de Transportes (AMT), entidade que representou o Governo no processo de revisão das tarifas.

A reivindicação dos transportadores ganhou intensidade depois do agravamento dos preços dos combustíveis, registado em Maio, quando o gasóleo aumentou 45,5% e a gasolina 12,1%, pressionando os custos de funcionamento das empresas e dos operadores individuais.

Na altura, o Executivo justificou os aumentos com a evolução dos preços internacionais dos produtos petrolíferos e as dificuldades de abastecimento associadas ao conflito no Médio Oriente.

Para evitar uma subida imediata das tarifas, o Governo introduziu um mecanismo temporário de compensação financeira aos transportadores, que vigorou entre Junho e Agosto de 2026, na expectativa de uma estabilização dos preços dos combustíveis no mercado internacional.

Contudo, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, reconheceu posteriormente que o Estado não poderia assegurar indefinidamente a manutenção dos subsídios, abrindo espaço para novas negociações sobre o preço dos transportes.

Paulo Muthisse considerou que o modelo de compensação adoptado apresentava limitações que prejudicavam os operadores, embora tenha reconhecido a importância do apoio financeiro concedido pelo Executivo.

O dirigente defendeu ainda que a sustentabilidade do sector deve assentar na prestação regular dos serviços de transporte, acompanhada de condições que permitam aos operadores suportar os custos de manutenção, combustível e funcionamento das viaturas.

O reajustamento acordado abrange os transportes que operam na região metropolitana do Grande Maputo, incluindo Maputo, Matola, Marracuene, Matola Rio, Boane, Namaacha e Manhiça.

Nas restantes províncias do País, eventuais alterações das tarifas deverão ser negociadas pelas associações locais de transportadores, em coordenação com os respectivos governos provinciais.

A FEMATRO anunciou igualmente que pretende reforçar a fiscalização nas principais paragens de transporte a partir de 7 de Novembro, de modo a acompanhar a aplicação das novas tarifas e combater práticas como o encurtamento de rotas, frequentemente denunciado pelos passageiros.

O aumento previsto para Novembro representa uma nova pressão sobre os custos de mobilidade das famílias do Grande Maputo, numa região onde os transportes semi-colectivos constituem um dos principais meios de deslocação diária para o trabalho, escolas e outras actividades económicas.

Entretanto, a entrada em vigor das novas tarifas permanece dependente da respectiva formalização pelas autoridades competentes, estando os transportadores a aguardar a comunicação oficial sobre a implementação do reajustamento.

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