As zonas de Totoe, Dlovukaze e Languene estão entre as mais afectadas pela invasão de animais bravios. Em Languene, pelo menos 300 camponeses tiveram as suas áreas agrícolas invadidas.
Segundo o director das Actividades Económicas do distrito de Limpopo, Oldimiro Chaúque, as autoridades confirmam, até ao momento, a destruição de cerca de 13 mil hectares de culturas diversas.
A situação terá piorado depois das cheias, que alteraram o comportamento e a circulação dos animais nas zonas de produção.
João Jaime, líder local no distrito de Limpopo, afirmou que a presença de hipopótamos e porcos-do-mato se tornou mais frequente nas machambas, provocando prejuízos sobretudo em Totoe e Dlovukaze.
Em Languene, o líder local Adriano Bilene estima que cerca de 500 pessoas tenham sido afectadas nas zonas de Manhegan, Phiko e Nguava.
Os produtores dizem que alguns hipopótamos já não se afastam facilmente perante a presença humana, situação que aumenta também o risco para as comunidades que tentam proteger as suas culturas.
A dimensão do problema levou as autoridades a mobilizarem equipas de fiscais de fauna bravia para acompanhar as áreas mais afectadas.
Além das perdas nas machambas, alguns produtores registaram também a morte de animais domésticos devido às chuvas.
Uma agricultora de 66 anos, identificada como Linda, relatou ter perdido três cabeças de gado e um cabrito, além de parte das suas culturas.
Perante os prejuízos, o Governo distrital prevê apoiar pelo menos 500 produtores com sementes e utensílios agrícolas, com vista à retoma da produção.
Dados apresentados pelas autoridades locais indicam que os efeitos combinados das chuvas, cheias e invasão de animais bravios poderão ter afectado até 25 mil hectares de culturas no distrito.
Face à ameaça, alguns produtores passaram a permanecer durante a noite nas próprias machambas para tentar impedir novas invasões e proteger as culturas que ainda restam.