A informação foi divulgada a 30 de Outubro, durante a apresentação dos resultados financeiros da multinacional referentes ao terceiro trimestre de 2026. No comunicado, a empresa confirma o entendimento para reforçar a sua participação no empreendimento, cuja operação já se encontra sob a sua responsabilidade.
O acordo surge numa fase decisiva para o desenvolvimento do Rovuma LNG, que aguarda a conclusão dos procedimentos necessários à decisão final de investimento (FID, na sigla inglesa), prevista para 2026.
Embora a ExxonMobil não tenha revelado os detalhes financeiros da transacção, informações divulgadas pelo Club of Mozambique indicam que o reforço da participação resulta de uma operação de troca de activos com a petrolífera italiana Eni.
A nova participação de 50% diz respeito ao projecto Rovuma LNG e não à totalidade da concessão da Área 4, que possui uma estrutura accionista distinta, envolvendo a Mozambique Rovuma Venture (MRV), a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a sul-coreana KOGAS e outros parceiros.
O anúncio ocorre numa altura em que os parceiros do empreendimento intensificam os preparativos para a sua implementação. Em Agosto, a ExxonMobil anunciou a adjudicação de contractos de pré-investimento avaliados em aproximadamente 1,1 mil milhões de dólares, destinados à aquisição de equipamentos e à execução de trabalhos preparatórios.
As intervenções abrangem serviços de engenharia, fabrico de sistemas de produção submarina, fornecimento de válvulas de grande dimensão e tubagens para o transporte de gás natural, considerados essenciais para o avanço da primeira fase do projecto.
Na ocasião, a directora-geral da ExxonMobil Moçambique, Johanna Boothey, destacou a importância da aquisição antecipada de equipamentos especializados para reduzir potenciais atrasos na execução das obras e assegurar melhores condições para o arranque da construção.
O Rovuma LNG prevê a construção de uma unidade terrestre de processamento e liquefacção de gás natural com capacidade de produção de 18,6 milhões de toneladas anuais, recorrendo às reservas existentes em águas profundas da Bacia do Rovuma.
Entretanto, o Instituto Nacional de Petróleo (INP) tem vindo a acompanhar os procedimentos técnicos e regulamentares necessários à concretização do investimento, incluindo a avaliação da proposta de alteração ao Plano de Desenvolvimento do empreendimento.
O processo contempla a análise da viabilidade económica, das condições de financiamento, do fornecimento de gás ao mercado doméstico, do conteúdo local e das obrigações fiscais associadas à exploração dos recursos.
Em Setembro, a ExxonMobil anunciou igualmente a selecção de um consórcio composto pela Saipem e pela Jan De Nul para a realização de trabalhos relacionados com as infra-estruturas de produção e transporte de gás em águas profundas. A adjudicação definitiva permanece dependente da aprovação do investimento e das autorizações regulamentares.
Segundo estimativas da petrolífera, a implementação do Rovuma LNG poderá gerar aproximadamente seis mil milhões de dólares em actividade económica no País e criar oportunidades de trabalho para cerca de 7500 moçambicanos durante a fase de construção.
O empreendimento deverá igualmente contribuir para o desenvolvimento da cadeia nacional de fornecimento de bens e serviços, através da participação de empresas locais nas diferentes etapas da sua execução.
Com o reforço da participação, a ExxonMobil consolida a sua posição no desenvolvimento do Rovuma LNG, enquanto a Eni mantém a responsabilidade pelas operações dos projectos de gás natural liquefeito flutuante associados ao campo Coral, também localizado na Área 4.
A concretização do investimento continua, no entanto, condicionada à conclusão dos processos de aprovação, à estruturação do financiamento e à decisão final dos parceiros envolvidos.