A estimativa foi avançada pelo director-geral da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul), Edgar Chongo, que explicou que os dois projectos continuam sem financiamento assegurado e estão a ser apresentados a potenciais parceiros.
Segundo o responsável, a barragem de Moamba Major está avaliada em cerca de 500 milhões de dólares, enquanto Mapai poderá custar aproximadamente mil milhões de dólares ou ligeiramente mais.
“A questão principal é o investimento, é o custo do investimento. Trata-se de infra-estruturas de grande dimensão, cuja implementação exige alguma robustez financeira”, afirmou Chongo, em entrevista à AIM.
Moamba Major é considerada uma infra-estrutura fundamental para garantir o abastecimento de água ao Grande Maputo a longo prazo. O projecto prevê uma capacidade de armazenamento de cerca de 780 milhões de metros cúbicos de água.
A barragem deverá funcionar em articulação com os Pequenos Libombos, cuja capacidade enfrenta crescente pressão devido ao aumento da população e da procura de água na região metropolitana de Maputo.
Além do abastecimento, Moamba Major deverá contribuir para a gestão das cheias no Baixo Incomáti, através da regulação dos caudais em períodos de precipitação intensa.
Os estudos e o desenho do projecto estão actualmente a ser actualizados, estando prevista a conclusão deste processo no início do próximo ano, altura em que deverá existir uma estimativa mais precisa sobre o custo da obra.
Já a barragem de Mapai é apontada como uma das principais soluções estruturais para reduzir a vulnerabilidade das populações no vale do Limpopo.
Actualmente, o rio Limpopo não dispõe, em território moçambicano, de uma grande barragem com capacidade para regular os caudais provenientes dos países localizados a montante.
Segundo a ARA-Sul, a construção de Mapai poderá melhorar o controlo das cheias, garantir maior disponibilidade de água durante períodos de seca e reduzir os riscos enfrentados pelas comunidades que vivem e produzem ao longo do vale.
O projecto apresenta, contudo, desafios adicionais. A implantação da barragem poderá afectar cerca de 21 comunidades, exigindo processos de reassentamento e aumentando a complexidade social, técnica e financeira da intervenção.
Apesar da falta de financiamento, a ARA-Sul continua a procurar potenciais parceiros para viabilizar os dois empreendimentos.
A instituição considera Moamba Major e Mapai elementos importantes da estratégia de resiliência climática do País, que combina sistemas de monitoria e aviso prévio com investimentos em infra-estruturas capazes de armazenar água e regular os principais rios.