Os resultados constam de um comunicado da administração tributária, que apresenta o balanço das actividades de fiscalização, cobrança de impostos e acompanhamento das operações mineiras e petrolíferas desenvolvidas durante os primeiros nove meses do ano.
De acordo com a instituição, as auditorias contaram com o apoio técnico de consultores do Projecto de Tributação Eficiente para o Desenvolvimento Inclusivo (TEDI) e do Fórum das Administrações Fiscais Africanas (ATAF), no âmbito dos esforços para reforçar o controlo fiscal sobre as empresas que exploram recursos naturais no País.
O montante identificado nas auditorias corresponde aos valores apurados pela administração tributária, não significando necessariamente que a totalidade tenha sido efectivamente cobrada.
Relativamente à arrecadação de receitas dos megaprojectos, o sector petrolífero foi o principal contribuinte, com cerca de 154,5 milhões de euros, enquanto as actividades mineiras geraram aproximadamente 34,5 milhões de euros.
Segundo a AT, o crescimento de 84% face ao período homólogo de 2025 foi impulsionado, sobretudo, pelo desempenho do sector petrolífero, responsável pela maior parcela das receitas provenientes dos megaprojectos.
Paralelamente, a cobrança de impostos específicos sobre as actividades extractivas registou um aumento de 103% em comparação com os primeiros nove meses do ano passado.
Neste segmento, o sector mineiro representou aproximadamente 86% das receitas arrecadadas, enquanto o petrolífero contribuiu com os restantes 14%.
Fiscalização Abrange 30 Projectos Mineiros e Petrolíferos
No âmbito do reforço da fiscalização, a Autoridade Tributária realizou visitas de monitoria a 30 projectos mineiros e petrolíferos localizados nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Manica.
As intervenções tiveram como finalidade acompanhar as operações das empresas, verificar o cumprimento das obrigações fiscais e melhorar os mecanismos de controlo das actividades desenvolvidas no sector extractivo.
A instituição acompanhou igualmente operações de transmissão de participações em activos mineiros e petrolíferos, tendo apurado mais-valias avaliadas em aproximadamente 3,8 milhões de euros, além de um montante adicional equivalente a 1,1 milhões de euros.
Outro destaque do balanço está relacionado com a comercialização de pedras preciosas. Entre Janeiro e Julho, a administração tributária acompanhou três leilões internacionais de rubis, que movimentaram cerca de 71,8 milhões de euros.
Segundo os dados apresentados, estas operações deram origem a aproximadamente 6,9 milhões de euros em Imposto sobre a Produção Mineira (IPM), evidenciando a contribuição da exploração e comercialização de rubis para as receitas fiscais do Estado.
Além das actividades de fiscalização, a Autoridade Tributária promoveu acções de formação técnica, estudos especializados e iniciativas de revisão da legislação tributária aplicável às indústrias extractivas.
Estas medidas têm como objectivo fortalecer a capacidade de fiscalização, melhorar a identificação de riscos fiscais e assegurar um acompanhamento mais eficaz das operações das empresas mineiras e petrolíferas.
O balanço apresentado pela instituição evidencia o aumento das receitas fiscais provenientes dos megaprojectos e o reforço das acções de controlo num sector que continua a desempenhar um papel importante na arrecadação de recursos financeiros para o Estado.