Segundo resultados preliminares, a AfD conquistou 43,8% dos votos, ficando muito à frente da União Democrata-Cristã (CDU), que obteve 17,2%. Apesar da vitória expressiva, o partido não conseguiu a maioria absoluta necessária para governar sozinho.
A AfD deverá conquistar 39 dos 83 lugares do Parlamento estadual, quando seriam necessários pelo menos 42 para garantir a maioria. O resultado obriga o partido a procurar apoios de outras forças políticas caso pretenda formar governo.
Os principais partidos alemães, contudo, têm recusado estabelecer coligações com a AfD. A CDU reiterou que não pretende cooperar com forças que considera de extrema-direita, aumentando as dificuldades para a formação de um governo liderado pelo partido vencedor.
“Fizemos história neste Estado”, declarou Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD na Saxónia-Anhalt, depois de conhecida a dimensão da vitória eleitoral.
O resultado representa uma forte mudança no equilíbrio político regional. A AfD mais do que duplicou o apoio alcançado nas eleições de 2021, enquanto a CDU sofreu uma queda acentuada.
A participação eleitoral atingiu 76,7%, num escrutínio que mobilizou fortemente os eleitores da Saxónia-Anhalt, região com cerca de 2,1 milhões de habitantes.
Apesar da dimensão da vitória, a chegada da AfD ao governo permanece incerta. Os restantes partidos mantêm uma espécie de “barreira de protecção” política destinada a impedir que a direita radical assuma o poder através de coligações.
A vitória provocou igualmente reacções internacionais. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, partilhou nas redes sociais uma projecção dos resultados, enquanto representantes russos elogiaram o desempenho da AfD. Em sentido contrário, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, criticou duramente quem celebrou o resultado.
A AfD tem ganho força sobretudo nos Estados do leste da Alemanha e lidera actualmente algumas sondagens nacionais. O partido defende políticas fortemente restritivas em matéria de imigração e tem sido alvo de críticas devido a algumas das suas posições sobre estrangeiros e relações com a Rússia.
Embora tenha vencido também as eleições na Turíngia em 2024, a AfD não conseguiu chegar ao poder naquele Estado devido à falta de maioria e à recusa dos restantes partidos em formar uma coligação.