Trata-se de Alberto L. García-Basteiro, Vasco Sambo e Olga Cambaco, investigadores ligados às áreas de Tuberculose, Doenças Bacterianas e Estudos de População, respectivamente, que participam na Comissão NUS–Lancet PRIME, uma iniciativa da Universidade Nacional de Singapura e da revista científica The Lancet.
Segundo um comunicado do CISM, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), o trabalho da comissão resultou na publicação de um artigo científico e de um relatório internacional que apresenta recomendações para melhorar a preparação dos países perante futuras emergências sanitárias.
O relatório foi apresentado em Setembro, em Nova Iorque, durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, num encontro que reuniu representantes de governos, organizações internacionais, instituições académicas e organizações da sociedade civil.
A comissão é co-presidida pela antiga Primeira-Ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, e pela professora Helena Legido-Quigley, reunindo especialistas de diferentes regiões do mundo nas áreas de saúde pública, epidemiologia, economia, governação e ciências sociais.
O estudo analisou experiências de 20 países durante a pandemia da COVID-19, procurando identificar os factores que influenciaram a capacidade das comunidades de se protegerem e de responderem às consequências da crise sanitária.
Moçambique esteve entre os países analisados, tendo a investigação incluído entrevistas com responsáveis nacionais e membros das comunidades, nomeadamente mulheres residentes no distrito de Manhiça, na província de Maputo.
A investigação combinou entrevistas com decisores de diferentes sectores governamentais, análise dos sistemas de saúde e das instituições, construção de cenários futuros e modelos epidemiológicos.
Uma das principais conclusões da comissão é que a preparação para futuras pandemias não deve depender exclusivamente da existência de planos de emergência, infra-estruturas hospitalares ou capacidades técnicas.
Segundo os investigadores, é igualmente necessário avaliar a capacidade efectiva dos sistemas de saúde e das sociedades de protegerem as populações, garantindo que as medidas adoptadas sejam acessíveis a todos os grupos sociais.
O estudo identificou factores como a insegurança económica, as condições de habitação, as dificuldades de acesso aos serviços essenciais e a falta de confiança nas instituições como elementos que podem limitar a capacidade de resposta das comunidades durante uma emergência sanitária.
Com base nos resultados, a comissão apresentou dez recomendações que abrangem a participação comunitária, a protecção social, o financiamento, a governação, a comunicação em saúde e a cooperação internacional.
Entre as propostas destaca-se a criação do PRIME Test, uma ferramenta destinada a avaliar políticas públicas, estratégias e investimentos, tendo em consideração critérios como a equidade, a confiança nas instituições, a participação das comunidades e a capacidade de recuperação dos sistemas.
O coordenador da área de Tuberculose do CISM, Alberto L. García-Basteiro, participou no lançamento internacional do relatório, em Nova Iorque, onde moderou uma mesa-redonda dedicada às implicações práticas das conclusões da investigação.
A sessão analisou de que forma as evidências científicas produzidas pela comissão poderão contribuir para melhorar as políticas de prevenção e os mecanismos de resposta a futuras pandemias.
A comissão pretende agora avançar para a implementação das recomendações, promovendo debates nacionais e regionais que envolvam autoridades públicas, investigadores, profissionais de saúde, comunidades e parceiros internacionais.
O objectivo é transformar os resultados da investigação em medidas concretas que reforcem a capacidade dos países de prevenir, enfrentar e recuperar de futuras emergências sanitárias, reduzindo as desigualdades no acesso à protecção e aos cuidados de saúde.