Em declarações antes de encontros com responsáveis europeus, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, Burnham afirmou que a prioridade imediata do Governo continua a ser o reforço das relações com a União Europeia. No entanto, não afastou a hipótese de o tema vir a integrar futuras discussões políticas no país.
A posição representa uma mudança de tom no debate político britânico, dez anos depois do referendo que conduziu ao Brexit. Embora não tenha anunciado qualquer plano para regressar à União Europeia, o primeiro-ministro deixou aberta a possibilidade de uma reaproximação mais profunda entre Londres e Bruxelas.
Actualmente, o Governo britânico está concentrado no reforço das relações económicas e comerciais com os países europeus. Um dos principais temas em discussão é a participação do Reino Unido na iniciativa europeia “Made in Europe”, destinada a fortalecer a produção industrial do continente e a reduzir dependências externas.
Burnham alertou que a exclusão do Reino Unido poderá afectar sectores estratégicos da economia britânica, incluindo a indústria automóvel.
O primeiro-ministro deverá reunir-se com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir o futuro das relações entre o Reino Unido e a União Europeia, incluindo a realização de uma nova cimeira bilateral.
Apesar das declarações, não existe qualquer processo formal em curso para o regresso do Reino Unido à União Europeia. Uma eventual readesão exigiria negociações entre Londres e Bruxelas e apoio político para avançar com o processo.
A discussão surge numa altura em que sectores políticos e empresariais britânicos defendem relações mais estreitas com a Europa, sobretudo nos domínios económico, comercial e industrial.