O Brent, um dos principais tipos de petróleo usados como referência para definir os preços no mercado internacional, atingiu 100,19 dólares por barril no mercado de Londres, depois de subir 2,20%.
O barril é a unidade normalmente utilizada para negociar petróleo e corresponde a cerca de 159 litros.
A subida representa a quarta sessão consecutiva de valorização do Brent e coloca o preço do petróleo no nível mais elevado desde o final de Julho.
A principal preocupação dos mercados está relacionada com a possibilidade de os ataques entre Washington e Teerão provocarem perturbações nas rotas utilizadas para transportar petróleo a partir do Médio Oriente.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado dois navios de guerra norte-americanos, bases dos Estados Unidos na Jordânia e várias embarcações que tentavam atravessar o estreito de Ormuz.
O estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, utilizada diariamente por navios que transportam grandes quantidades de petróleo para diferentes mercados internacionais.
Qualquer interrupção naquela rota pode reduzir temporariamente a quantidade de petróleo disponível no mercado mundial, aumentando os receios de escassez e pressionando os preços para cima.
Os ataques iranianos terão ocorrido em resposta a operações dos Estados Unidos contra petroleiros do Irão.
Por sua vez, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou ter destruído cinco embarcações alegadamente ligadas ao Corpo da Guarda Revolucionária do Irão, numa resposta a ataques anteriores de Teerão contra um navio de guerra norte-americano.
É precisamente esta troca de ataques que está a provocar nervosismo entre investidores, empresas petrolíferas e países dependentes da importação de combustíveis.
Quando existe risco de guerra, bloqueio de rotas marítimas ou redução da produção, os compradores tendem a antecipar possíveis dificuldades de abastecimento. Isso aumenta a procura e, consequentemente, o preço do petróleo.
A subida do barril pode ter efeitos para além do sector petrolífero. Se os preços permanecerem elevados durante muito tempo, os custos de combustíveis, transporte de mercadorias, aviação e produção industrial podem aumentar em vários países.
Economias que importam grande parte dos combustíveis que consomem ficam particularmente expostas, uma vez que podem ser obrigadas a gastar mais divisas para comprar petróleo e derivados no mercado internacional.
O mercado acompanha agora a evolução dos confrontos entre os Estados Unidos e o Irão, sobretudo qualquer acontecimento que possa afectar o estreito de Ormuz ou outras infra-estruturas de produção e transporte de petróleo no Médio Oriente.
Se as tensões continuarem a aumentar, os preços poderão permanecer sob pressão. Uma redução dos confrontos e a manutenção normal do abastecimento, por outro lado, poderá aliviar os receios dos investidores e ajudar a estabilizar o mercado.