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Niassa: Governo Diz que Marangira Está sob Controlo após Ataque

Niassa: Governo Diz que Marangira Está sob Controlo após Ataque
Por Isabel Dalciana 3 min

O Governo garante que a situação no posto administrativo de Marangira, distrito de Marrupa, província do Niassa, está calma e sob controlo das Forças de Defesa e Segurança (FDS), depois do ataque terrorista que provocou uma morte, milhares de deslocados e destruiu várias infra-estruturas.

A informação foi avançada pelo secretário de Estado na província do Niassa, Silva Livone, durante as celebrações do Dia da Vitória, assinalado a 7 de Setembro.

“Regista-se um ambiente calmo, a população de Marangira regressou às suas casas”, afirmou o governante, citado pela Lusa. As autoridades apelam, contudo, à manutenção da vigilância nas comunidades para prevenir novas infiltrações de grupos armados.

O ataque ocorreu a 3 de Setembro e atingiu a Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa, onde funciona um acampamento da Mozambique Wild Adventures (MWA), empreendimento turístico associado ao treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz.

LIVONE — Niassa: Governo Diz Que Marangira Está Sob Controlo Após Ataque
Imagem de apoio. O ataque ocorreu a 3 de Setembro e atingiu a Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa, onde funciona um acampamento da Mozambique Wild Adventures (MWA), empreendimento…

A incursão provocou a morte de uma mulher e ferimentos num membro das Forças de Defesa e Segurança. O balanço das autoridades indica ainda que cerca de 2.700 pessoas foram obrigadas a abandonar temporariamente as suas casas.

Durante o ataque, os insurgentes saquearam e incendiaram o acampamento turístico e causaram danos num centro de saúde, num posto policial e numa torre de telecomunicações. Viaturas também foram destruídas ou levadas pelos atacantes.

Pelo menos 11 pessoas raptadas

Dados divulgados posteriormente pela Polícia da República de Moçambique indicam que pelo menos 11 pessoas, incluindo crianças, foram raptadas durante a incursão. As forças de segurança continuam a patrulhar as matas próximas da zona atacada.

O caso ganhou igualmente dimensão internacional. O Ministério das Relações Internacionais da África do Sul confirmou que um cidadão sul-africano, de 30 anos, está entre os trabalhadores desaparecidos após o ataque. O país está a trabalhar com as autoridades moçambicanas para acompanhar o caso.

Três cidadãos norte-americanos que se encontravam na região foram igualmente retirados da área após o ataque. Os Estados Unidos mantêm a Reserva Especial do Niassa no nível máximo de alerta de viagem, recomendando aos seus cidadãos que não se desloquem àquela zona devido ao risco de terrorismo e raptos.

As autoridades moçambicanas acreditam que os autores da incursão terão entrado no Niassa a partir da vizinha província de Cabo Delgado, principal foco da insurgência armada que afecta o Norte de Moçambique desde 2017.

Segundo a Associated Press, um especialista do projecto internacional de monitoria de conflitos ACLED considerou o ataque como a primeira incursão conhecida deste grupo no Niassa desde Maio de 2025. Para o analista, embora o episódio não demonstre necessariamente uma presença permanente dos insurgentes na província, evidencia a capacidade dos grupos armados de se movimentarem por zonas rurais e atingirem alvos económicos fora de Cabo Delgado.

Desde o início da insurgência em Cabo Delgado, mais de 6.600 pessoas morreram e mais de 1,2 milhão foram obrigadas a abandonar as suas zonas de origem, de acordo com dados citados pela Lusa. Nos últimos anos, ataques e incursões esporádicas têm também atingido zonas das províncias do Niassa e de Nampula.

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