Mega Cash Carry Admite Reduzir Trabalhadores se Crise de Divisas Persistir

A Mega Cash Carry admite reduzir o número de trabalhadores caso a escassez de divisas em Moçambique continue a limitar as importações e a afectar as vendas da empresa.

A Mega Cash Carry admite reduzir o número de trabalhadores caso a escassez de divisas em Moçambique continue a limitar as importações e a afectar as vendas da empresa.
O alerta foi feito por João Serra, director-geral da Mega Cash Carry, em entrevista ao Centro de Integridade Pública (CIP), divulgada esta terça-feira, 8 de Setembro.
Segundo o responsável, a empresa emprega actualmente cerca de 387 trabalhadores e poderá ser obrigada a reduzir custos caso a crise continue a afectar a disponibilidade de produtos e o volume de vendas.
“Se nós não conseguirmos vender, teremos obviamente que fazer alguma coisa e vamos ter que reduzir custos. E essa redução de custos pode, na pior das hipóteses, passar por reduzir trabalhadores”, afirmou João Serra.
A empresa enfrenta dificuldades no acesso a moeda estrangeira para pagar fornecedores no exterior. Segundo o director-geral, a Mega Cash Carry tem conseguido importar apenas cerca de 60% das suas necessidades, ficando 40% por satisfazer.

A falta de divisas já se reflecte na disponibilidade de alguns produtos nas lojas. João Serra apontou os congelados como um dos exemplos de mercadorias cuja importação tem sido condicionada.
Para reduzir o impacto da crise, a empresa tem recorrido ao apoio do seu accionista no estrangeiro para financiar parte das operações e efectuar pagamentos internacionais.
“Seríamos muito pior”, afirmou João Serra quando questionado sobre qual seria a situação da empresa sem esse apoio.
O accionista estrangeiro tem também financiado investimentos ligados à expansão da Mega Cash Carry. Segundo Serra, as cinco lojas abertas no ano passado foram suportadas com capitais próprios do accionista, incluindo a aquisição de equipamentos importados.
A situação da Mega Cash Carry insere-se num problema mais amplo de escassez de divisas no mercado moçambicano. Empresas que dependem de importações têm enfrentado dificuldades para obter dólares, euros e rands em quantidade suficiente para pagar fornecedores no exterior.
O Banco de Moçambique reconheceu recentemente a existência de alguma escassez de divisas no mercado. O novo Governador da instituição, Felisberto Dinis Navalha, afirmou que pretende ouvir os bancos comerciais para compreender as causas do problema e avaliar possíveis soluções.
Apesar das dificuldades no acesso à moeda estrangeira, o Banco Central tem indicado que as reservas internacionais do país permanecem em níveis considerados adequados.
Para as empresas importadoras, porém, a existência de reservas não significa necessariamente acesso imediato às divisas necessárias para pagar mercadorias e serviços no estrangeiro.
A Mega Cash Carry manifesta também preocupação com uma eventual desvalorização do metical, sobretudo por manter facturas pendentes no exterior.
“A subida da taxa de câmbio seria um desastre”, afirmou João Serra, explicando que uma desvalorização aumentaria significativamente o número de meticais necessários para pagar as mesmas dívidas em moeda estrangeira.
Segundo o responsável, esse aumento dos custos acabaria igualmente por pressionar os preços dos produtos vendidos ao consumidor.
A crise está também a afectar a relação da empresa com fornecedores internacionais. Alguns continuam a aceitar os atrasos provocados pelas dificuldades no acesso às divisas, enquanto outros passaram a bloquear fornecimentos, exigir garantias bancárias ou aumentar a pressão para receber pagamentos.
Para a Mega Cash Carry, a persistência da crise poderá afectar cada vez mais a disponibilidade de produtos, os preços e, no pior cenário, os postos de trabalho.
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