O anúncio foi feito pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante uma conferência de imprensa de balanço da sua visita de trabalho à província de Inhambane.
Segundo Chapo, a entrada em vigor da nova lei, a criação da nova empresa pública de minas, a aprovação do regulamento e a reorganização do cadastro mineiro deverão permitir maior controlo sobre a actividade extractiva em diferentes pontos do país.
“Temos a certeza absoluta de que, com a entrada em vigor da nova lei, da nova empresa pública de minas, a aprovação do novo regulamento de minas e a reabertura de um cadastro extremamente organizado, vamos conseguir, nos próximos dias, reorganizar o sector de minas”, afirmou.
O Chefe do Estado referiu que a reorganização deverá abranger zonas críticas como a mina de “Seis Carros”, no distrito de Vanduzi, em Manica, além de áreas mineiras em Tete e noutras províncias.
As declarações surgem numa altura em que aumentam as preocupações com acidentes em zonas de mineração artesanal e ilegal.
Na mina de “Seis Carros”, vários garimpeiros morreram recentemente na sequência de desabamentos de terra, numa área onde a procura de ouro levou à expansão progressiva das escavações.
Segundo as autoridades locais, algumas covas chegaram a atingir cerca de 20 metros de profundidade e 25 metros de diâmetro, aumentando o risco de soterramentos.
A elevada concentração de pessoas nas zonas de exploração, sobretudo durante o período chuvoso, tem sido apontada como um dos factores que contribuem para a fragilidade do terreno.
O Governo tem igualmente manifestado preocupação com os impactos ambientais da mineração descontrolada, incluindo degradação dos solos, contaminação de cursos de água e ausência de planos de recuperação das áreas exploradas.
Em Julho, a Procuradoria-Geral da República alertou para a presença de menores em actividades de mineração ilegal em Manica, depois de identificar cerca de 900 pontos de escavação.
Em 2025, várias empresas mineiras chegaram a ter as suas licenças suspensas devido a irregularidades ambientais e incumprimento de normas de exploração.
Entretanto, 30 das 41 empresas suspensas em Manica já retomaram a actividade, depois de cumprirem os requisitos exigidos pelas autoridades, permanecendo as restantes sob avaliação.
Com o novo regulamento, o Executivo pretende reforçar o controlo do sector, melhorar a fiscalização e reduzir os acidentes associados à exploração ilegal e desorganizada de recursos minerais.