O aviso consta do Relatório de Riscos Fiscais 2027, do Ministério das Finanças, que prevê um dos episódios de El Niño mais severos registados desde 1950.
O El Niño é um fenómeno climático que altera o regime normal das chuvas e das temperaturas. Em Moçambique, poderá provocar menos chuva nas regiões Centro e Sul e, ao mesmo tempo, aumentar o risco de chuvas fortes, cheias e inundações no Norte.
Segundo o Governo, 76 distritos considerados semiáridos no Centro e Sul estão particularmente expostos ao risco de seca severa, situação que poderá prejudicar as machambas e reduzir a produção de alimentos.
A redução das chuvas poderá também agravar a insegurança alimentar, afectar a produção de energia e aumentar as necessidades de assistência às famílias atingidas.
No Norte, onde são esperadas chuvas normais ou acima do habitual, aumenta o risco de cheias, inundações, ciclones e tempestades durante a época chuvosa, que decorre entre Outubro e Abril.
Além do impacto sobre as famílias, o Governo estima que uma época severa poderá custar ao Estado cerca de 18,4 mil milhões de meticais, devido ao aumento das despesas com saúde, assistência humanitária, protecção social e reconstrução de infra-estruturas.
Num cenário ainda mais grave, com seca generalizada no Centro e Sul e ciclones ou cheias no Norte, os custos poderão aproximar-se dos 35 mil milhões de meticais.
O relatório alerta igualmente que estes fenómenos poderão aumentar a dívida pública e dificultar o cumprimento das metas financeiras previstas para 2027.
Perante o risco, o Governo defende o reforço dos mecanismos de preparação e resposta a desastres, incluindo reservas de emergência, seguros e outras formas de financiamento destinadas a apoiar rapidamente as populações afectadas.