O primeiro ataque ocorreu na noite de sábado, 26 de Setembro, no município de Wedela, a sudoeste de Joanesburgo, onde oito homens armados com fuzis AK-47 e pistolas abriram fogo contra frequentadores de um bar.
Segundo a polícia sul-africana, 17 pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas. Entre as vítimas mortais estavam 13 homens e quatro mulheres.
Os atacantes começaram por disparar contra pessoas que se encontravam no exterior do estabelecimento e, em seguida, entraram no local, onde continuaram a efectuar disparos.
Antes de fugirem, os suspeitos terão revistado algumas vítimas e levado telemóveis. As autoridades indicaram que os homens abandonaram o local em dois veículos.
Cerca de quatro horas depois, um segundo tiroteio foi registado em Lwandle, próximo da Cidade do Cabo.
Neste ataque, 10 pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas. A polícia criou uma equipa especializada para investigar o caso e localizar os suspeitos.
Até ao momento, não foram anunciadas detenções relacionadas com os dois ataques.
As autoridades não estabeleceram qualquer ligação entre os dois tiroteios, embora ambos tenham ocorrido num intervalo de poucas horas e num período marcado por vários episódios de violência armada no país.
Dias antes, outro ataque tinha sido registado em KwaMakhutha, a sul de Durban, onde homens armados invadiram uma residência durante uma festa.
O ataque provocou inicialmente 11 mortos, número que posteriormente subiu para 12 depois de uma das vítimas hospitalizadas não resistir aos ferimentos.
A sucessão de tiroteios voltou a aumentar a preocupação com os níveis de violência armada na África do Sul.
O país enfrenta há vários anos elevados índices de criminalidade violenta, sendo as armas de fogo um dos meios mais utilizados na prática de homicídios.
A circulação de armas ilegais, a actividade de grupos criminosos e a violência associada a gangues são apontadas pelas autoridades como alguns dos factores que contribuem para a situação.
Entre Abril e Junho, a África do Sul registou 5.427 homicídios, o equivalente a quase 60 mortes por dia, segundo estatísticas oficiais da polícia.
As forças de segurança têm intensificado operações em várias regiões do país para combater o crime organizado e retirar armas ilegais de circulação.
Numa das operações realizadas em Setembro, mais de 17 mil suspeitos foram detidos por diferentes crimes, incluindo homicídio, posse ilegal de armas, tráfico de drogas e roubo. As autoridades apreenderam ainda mais de uma centena de armas de fogo sem licença.
Em Março, o Presidente Cyril Ramaphosa determinou o envio de militares para algumas das zonas mais afectadas pela criminalidade, numa operação destinada a reforçar a resposta das autoridades ao crime violento.
As investigações aos ataques de Wedela e Lwandle continuam, enquanto a polícia mantém operações para identificar os responsáveis e determinar as motivações dos dois tiroteios.