O anúncio foi feito pelo vice-presidente da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), Amanuel Assefa, que confirmou que a coligação inclui forças do Tigray, as milícias nacionalistas Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo (OLA), além de outros quatro grupos armados.
Segundo Assefa, os diferentes grupos mantêm contactos há mais de um ano e decidiram agora formalizar a cooperação.
“Acabámos de formar uma aliança. Estamos a colaborar com vários grupos e os nossos objectivos são derrubar o regime e facilitar a formação de um Governo de transição”, declarou o dirigente à AFP.
A liderança da nova aliança deverá ficar a cargo de Zemene Kasse, uma das figuras associadas às forças Fano.
A formação da coligação ocorre num período de crescente tensão no país, particularmente no norte. De acordo com a União Africana, forças do Governo federal e da TPLF têm aumentado a presença militar junto às fronteiras da região do Tigray, aumentando os receios de uma nova escalada.
A Etiópia viveu entre 2020 e 2022 uma guerra envolvendo as forças federais e a TPLF. Segundo estimativas citadas pela União Africana, o conflito provocou cerca de 600 mil mortos.
A nova aliança junta grupos que, no passado, estiveram em lados opostos. Durante a guerra do Tigray, forças Fano combateram ao lado do Exército federal contra a TPLF, enquanto actualmente mantêm um conflito com o Governo central.
O OLA, por sua vez, combate as forças federais na região de Oromia desde 2018, enquanto as milícias Fano intensificaram a confrontação com o Governo a partir de 2023.
Persistem, contudo, divergências territoriais e políticas entre os grupos, incluindo disputas sobre áreas do Tigray Ocidental reivindicadas por comunidades tigrínias e amharas.
Amanuel Assefa afirmou que essas diferenças poderão ser discutidas posteriormente através do diálogo.
As autoridades federais etíopes ainda não tinham reagido publicamente ao anúncio da nova aliança até à divulgação da informação.