Desinformação nas Redes Sociais Preocupa Autoridades
A desinformação é apontada como um dos principais desafios da comunicação social em Moçambique. O alerta está em debate no quinto Conselho Coordenador do GABINFO realizado na cidade de Maputo hoje, que procura respostas para conter a circulação de informação falsa no ambiente digital.

A circulação de informações falsas nas redes sociais e noutras plataformas digitais está a preocupar as autoridades moçambicanas, que defendem novas estratégias para enfrentar a desinformação fora do espaço tradicional dos órgãos de comunicação social.
O assunto esteve em debate durante o 5.º Conselho Coordenador do Gabinete de Informação (GABINFO), realizado esta quinta-feira (3), em Maputo, num encontro dedicado aos desafios da comunicação pública num contexto marcado pelo crescimento das plataformas digitais e pelo avanço da Inteligência Artificial.
Segundo Sílvia Nhadwate, responsável pela área jurídica do GABINFO, a actual legislação da comunicação social reforça mecanismos relacionados com a desinformação, mas continua concentrada essencialmente no exercício da actividade jornalística. “Há conteúdos que circulam nas redes sociais, na internet e nas diversas plataformas digitais que não serão abrangidos pela lei da comunicação social”, explicou.
A responsável defendeu, por isso, a necessidade de encontrar outras respostas para lidar com a desinformação que circula fora dos órgãos de comunicação social. “A componente de informação é um ponto de reflexão e debate neste evento, e esperamos sair daqui com estratégias e propostas de programas para actuar nessa área”, afirmou.
Sílvia Nhadwate explicou ainda que o Conselho Coordenador serve para avaliar as actividades desenvolvidas no sector da comunicação social e verificar o cumprimento das acções de apoio ao Governo que fazem parte do mandato do GABINFO.
Jornalistas chamados a reforçar rigor
O presidente do Conselho de Administração da Sociedade do Notícias, Júlio Majante, considera que o combate à desinformação também depende da responsabilidade dos próprios profissionais da comunicação social.
Segundo Majante, a preocupação dos jornalistas não deve estar apenas na rapidez da publicação, mas sobretudo na qualidade e veracidade da informação transmitida ao público. “O mais importante para nós não é sermos os primeiros a dizer as coisas, mas sim sermos os primeiros a dizer bem”, afirmou.
O responsável alertou que a divulgação de informações incorrectas pode influenciar negativamente a formação da opinião pública. “Não há pior coisa do que as pessoas basearem as suas opiniões em dados falsos”, acrescentou.
Para além da desinformação, o encontro debate os impactos da Inteligência Artificial no jornalismo, a transformação digital e a sustentabilidade dos órgãos públicos de comunicação social.
O 5.º Conselho Coordenador do GABINFO decorre sob o lema “Por uma comunicação pública sustentável, resiliente e moderna na era da transformação digital” e procura definir estratégias para preparar melhor o sector para os desafios do ambiente digital.








