Moçambique Já Produz Mais da Metade do Gás de Cozinha que Antes Comprava Fora

Moçambique já produz, em Temane, na província de Inhambane, uma quantidade de gás de cozinha equivalente a cerca de 55% a 60% do volume que antes era importado, num sinal de redução da dependência do país em relação ao produto vindo do estrangeiro.
A informação foi avançada por Titos Nhabomba, representante da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), durante o Fórum MozIndus, realizado no âmbito da FACIM 2026.
Segundo Nhabomba, o novo projecto de produção de gás de cozinha em Pande e Temane já está em funcionamento e produz cerca de 30 mil toneladas por ano.
“Há um projecto que acabou de iniciar que produz gás de cozinha, ou seja, podemos provavelmente, sem saber, alguns de nós nas nossas residências, estarmos a usar botijas cujo gás é produzido em Pande e Temane”, afirmou.
O responsável explicou que a produção anual corresponde a uma parte significativa do gás que Moçambique anteriormente precisava de comprar no exterior.
De acordo com a ENH, o gás natural produzido em Pande e Temane já é utilizado por várias indústrias no país, incluindo os sectores alimentar, de bebidas e cerâmica.
O produto é também usado como combustível para viaturas. Actualmente, cerca de quatro mil veículos em Moçambique utilizam gás natural, segundo dados apresentados pela empresa.
A ENH pretende igualmente aumentar o número de famílias com acesso ao gás natural canalizado. Nos distritos de Vilanculos, Inhassoro e Govuro, no norte da província de Inhambane, perto de quatro mil famílias já recebem gás directamente nas suas residências.
“Perto de quatro mil famílias não sabem o que é comprar lenha, carvão ou outra fonte de energia, porque elas já beneficiam do gás natural canalizado às suas residências”, afirmou Nhabomba.
Na província de Maputo, iniciativas semelhantes estão em curso e a expectativa é que mais mil famílias passem a beneficiar do gás natural canalizado durante 2026.
Além do gás de cozinha, Pande e Temane produzem também gás condensado, utilizado para diferentes fins no país. Segundo a ENH, uma pequena refinaria na Matola já usa este produto para produzir diesel destinado a actividades de navegação.
O representante da ENH destacou ainda o potencial dos projectos de gás na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, onde está prevista a disponibilização de grandes volumes de gás para consumo interno e para apoiar a industrialização do país.
Para Nhabomba, o principal desafio continua a ser a criação de infra-estruturas capazes de levar o gás das zonas de produção para outras partes de Moçambique.
A ENH pretende, por isso, instalar uma terminal de recepção de gás natural liquefeito entre a Beira e o norte de Inhambane, com o objectivo de facilitar a distribuição do produto e ampliar o seu uso no território nacional.








