O número representa um aumento de 58,6% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde durante a divulgação do Relatório sobre a Situação do Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas no País.
Salma Iuraimadam, representante do Ministério da Saúde, explicou que o consumo de múltiplas substâncias continua a ser a principal causa de procura dos serviços de psiquiatria e saúde mental, com 7.372 casos.
O consumo de álcool aparece em segundo lugar, com 5.469 atendimentos, seguido dos canabinóides, com 1.502 casos, e dos opióides, com 1.100.
A faixa etária entre os 21 e os 35 anos concentra o maior número de casos, situação que preocupa as autoridades por abranger uma parte significativa da população em idade escolar e laboral.
A cidade de Maputo lidera o número de atendimentos, enquanto Nampula, Manica e Cabo Delgado também apresentam níveis elevados de casos relacionados com o consumo de múltiplas substâncias.
As autoridades de saúde alertam que o consumo abusivo de drogas pode contribuir para conflitos familiares, abandono de responsabilidades e ruptura de relações, além de aumentar o risco de problemas como depressão, ansiedade severa, surtos psicóticos e doenças cardiovasculares e hepáticas.
Paralelamente, o Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga intensificou as acções de sensibilização. No primeiro semestre, mais de 1,38 milhões de pessoas foram abrangidas por campanhas, sobretudo adolescentes e jovens.
Foram mobilizados mais de 21 mil activistas e realizadas mais de 14 mil palestras em escolas e comunidades.
Os dados mostram igualmente um aumento dos crimes relacionados com drogas. Foram registados 131 casos de tráfico e consumo de estupefacientes, contra 75 no mesmo período de 2025.
O Serviço Nacional de Investigação Criminal abriu 418 processos relacionados com drogas no primeiro semestre, contra 250 no período homólogo, enquanto a Procuradoria-Geral da República tramitou 651 processos, acima dos 418 registados anteriormente.
No combate ao tráfico, as autoridades apreenderam cerca de uma tonelada de canábis, além de heroína, cocaína e metanfetaminas.
As investigações indicam que parte da heroína apreendida estava associada a rotas com origem na Índia e no Paquistão, enquanto a cocaína estava ligada principalmente à América Latina, com destaque para o Brasil.
O relatório aponta ainda para um aumento do número de moçambicanos detidos no exterior por crimes relacionados com drogas, de 42 para 56 pessoas.
No final do primeiro semestre, 812 pessoas encontravam-se detidas em Moçambique por crimes relacionados com drogas.