Chapo afirmou que a actual estrutura de governação global continua a sub-representar o continente africano e defendeu a posição comum da União Africana, estabelecida no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte.
A proposta prevê pelo menos dois lugares permanentes para África no Conselho de Segurança, com as mesmas prerrogativas dos actuais membros permanentes, incluindo o direito de veto enquanto este mecanismo continuar a existir, além de cinco lugares não permanentes para o continente.
Durante o discurso, Chapo defendeu também o reforço do multilateralismo, da cooperação internacional e do respeito pelo Direito Internacional como instrumentos para enfrentar conflitos armados, crises humanitárias, terrorismo, alterações climáticas e desigualdades económicas.
O Chefe do Estado reafirmou ainda a posição de Moçambique em defesa da solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano e do direito à autodeterminação do povo saharawi.
Defendeu igualmente o levantamento do bloqueio económico, comercial e financeiro contra Cuba e das sanções aplicadas ao Zimbabwe.
Sobre Moçambique, Chapo destacou os esforços de estabilização de Cabo Delgado e reconheceu o apoio prestado por parceiros regionais e internacionais no combate ao terrorismo.
Segundo o Presidente, apesar dos progressos na área da segurança, a província continua a necessitar de apoio para reconstrução e desenvolvimento.
Na componente económica, Chapo defendeu que os recursos naturais africanos devem gerar mais valor dentro do continente, através da industrialização, transformação local e desenvolvimento de cadeias de valor nacionais e regionais.
O Presidente abordou também os impactos das alterações climáticas em Moçambique e pediu maior acesso dos países vulneráveis ao financiamento para adaptação, aos mecanismos de perdas e danos e a investimentos em infra-estruturas resilientes e sistemas de alerta prévio.
Na área tecnológica, defendeu investimentos em conectividade, investigação científica, formação, transferência de tecnologia e numa governação responsável da inteligência artificial.
Chapo encerrou a intervenção defendendo uma ONU mais representativa e capaz de responder às transformações políticas, económicas, climáticas e tecnológicas.