Segundo o Financial Times, Bruxelas pediu à China que reduza voluntariamente as exportações destes veículos para o mercado europeu.
A intenção é limitar a quota dos híbridos chineses vendidos na União Europeia para cerca de 15%, contra mais de um terço actualmente, de acordo com fontes citadas pelo jornal britânico.
A preocupação aumentou com o crescimento rápido das importações. Os híbridos fabricados na China passaram de cerca de 3.800 unidades importadas em Outubro de 2024 para 50 mil em Julho deste ano.
Bruxelas receia que este aumento exerça maior pressão sobre a indústria automóvel europeia, que enfrenta dificuldades e tem anunciado cortes de postos de trabalho.
“Se eles não limitarem as exportações para o nosso mercado, fá-lo-emos nós”, afirmou um responsável europeu citado pelo Financial Times.
Além dos automóveis, a União Europeia quer que a China modere também as exportações de outros produtos, incluindo químicos, e aumente as compras de bens europeus.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou recentemente que o défice comercial entre a União Europeia e a China atingiu um ponto que exige novas medidas para reequilibrar as relações económicas.
O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, deverá deslocar-se a Pequim em Outubro para negociar com as autoridades chinesas.
A União Europeia procura alcançar um acordo voluntário, semelhante ao estabelecido com o Japão na década de 1980, quando fabricantes japoneses limitaram as exportações e reforçaram posteriormente a produção na Europa.
Actualmente, os automóveis híbridos chineses estão sujeitos a uma tarifa de 10%, enquanto os veículos totalmente eléctricos provenientes da China enfrentam direitos adicionais aplicados pela União Europeia desde 2024.
Pequim rejeita as acusações de que os preços baixos dos seus produtos resultam de subsídios estatais e defende que a competitividade das empresas chinesas está ligada à sua eficiência.